UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2015
Analise o seguinte texto. Durante o ano de 1945 existiam 1000 mulheres que trabalhavam com pintura de mostradores radiais de relógios de pulso. Em 1975, um grupo de pesquisadores comparou a incidência de câncer ósseo nessas mulheres com aquela de outras 1000 mulheres que trabalhavam como telefonistas na mesma cidade. Vinte das mulheres pintoras e quatro das telefonistas desenvolveram câncer ósseo entre 1945 e 1975. Que tipo de estudo epidemiológico foi realizado?
Partir da exposição para o desfecho (seguimento no tempo) = Estudo de Coorte.
O estudo de coorte seleciona grupos baseados na exposição (pintoras vs. telefonistas) e os acompanha para observar a incidência do desfecho (câncer ósseo).
Os estudos de coorte representam o desenho observacional mais robusto para estabelecer causalidade na epidemiologia analítica. Eles permitem o cálculo direto da incidência e, consequentemente, do Risco Relativo (RR). No cenário descrito, a comparação entre mulheres expostas a um agente (pintoras de mostradores radiais) e um grupo não exposto (telefonistas) ao longo de 30 anos caracteriza uma coorte. Este tipo de estudo é particularmente valioso para estudar exposições raras e múltiplos desfechos de uma única exposição. Embora mais caros e sujeitos a perdas de seguimento, os estudos de coorte evitam o viés de memória comum em estudos de caso-controle e fornecem a melhor evidência de associação etiológica fora dos ensaios clínicos randomizados.
A principal característica é que a seleção dos participantes é feita com base no status de exposição a um fator de risco ou agente. Os indivíduos são acompanhados ao longo do tempo para verificar a ocorrência (incidência) de uma doença ou desfecho, permitindo estabelecer uma relação temporal direta entre causa e efeito.
É um estudo onde tanto a exposição quanto o desfecho já ocorreram no momento em que a pesquisa começa. No entanto, o pesquisador 'volta no tempo' através de prontuários ou registros para identificar quem era exposto e quem não era, e então segue a cronologia dos fatos até o desfecho, mantendo a lógica de exposição → doença.
Na Coorte, partimos da causa (exposição) para o efeito (doença), sendo ideal para calcular incidência e risco relativo. No Caso-Controle, partimos do efeito (pessoas já doentes vs. saudáveis) para investigar retrospectivamente quais foram as exposições passadas, sendo útil para doenças raras ou com longo período de latência.
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