UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024
Um estudo foi realizado para avaliar a associação entre tempo de amamentação e comportamentos externalizantes na infância e na adolescência. Métodos: foram utilizados dados da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 1993. As informações sobre amamentação foram coletadas aos 12 meses. O comportamento foi avaliado aos 4 anos pelo instrumento Child Behavior Checklist (CBCL) e aos 11 e 15 anos pelo Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ), ambos aplicados às mães ou aos responsáveis pela criança. Dos 5.249 participantes da coorte, foram avaliados aqueles com informações completas para amamentação e comportamentos externalizantes: 630 crianças aos 4 anos, 1.227 adolescentes aos 11 anos e 1.199 aos 15 anos. A associação entre duração da amamentação e comportamentos externalizantes foi avaliada por meio de regressão de Poisson com ajuste robusto da variância.POTON, W.L., SOARES, A.L.G., MENEZES, A.M.B., WEHRMEISTER, F.C., GONÇALVES, H. Amamentação e comportamentos externalizantes na infância e adolescência em uma coorte de nascimentos. Rev Panam Salud Publica, 41, 2017.Com relação ao tipo de estudo epidemiológico empregado nessa pesquisa em Pelotas, pode-se\\nafirmar que se trata de um:
Acompanhamento de grupo exposto e não exposto ao longo do tempo para avaliar desfechos = Estudo de Coorte (Observacional Analítico).
Estudos de coorte partem da exposição em direção ao desfecho, permitindo o cálculo de incidência e risco relativo, sendo classificados como observacionais analíticos por testarem hipóteses de associação.
Os estudos epidemiológicos são ferramentas fundamentais para a medicina baseada em evidências. O estudo de coorte, exemplificado pela famosa Coorte de Pelotas, é o padrão-ouro dos estudos observacionais para avaliar fatores de risco e prognóstico. Ele permite observar a história natural das condições de saúde em grandes populações ao longo de décadas. Neste caso específico, ao analisar a amamentação (exposição) e comportamentos futuros (desfecho) em diferentes idades, o estudo cumpre os critérios de um delineamento longitudinal analítico. O uso da regressão de Poisson com ajuste robusto é uma técnica estatística comum para analisar dados de contagem ou taxas em estudos de coorte, reforçando seu caráter analítico.
Um estudo é observacional quando o pesquisador não intervém na exposição (não atribui tratamentos ou fatores de risco), apenas observa a evolução natural. É analítico quando existe um grupo de comparação (controle) que permite testar hipóteses estatísticas sobre a associação entre uma exposição e um desfecho, indo além da simples descrição de frequências.
A principal vantagem é a capacidade de estabelecer a temporalidade (a exposição precede o desfecho), o que é essencial para inferir causalidade. Além disso, permite o cálculo direto da incidência da doença nos grupos expostos e não expostos, possibilitando a determinação do Risco Relativo (RR).
A diferença reside no ponto de partida. Na coorte, selecionamos os indivíduos com base na exposição (ex: amamentação) e os seguimos para ver quem desenvolve o desfecho. No caso-controle, selecionamos os indivíduos com base no desfecho (quem já tem a doença) e olhamos para o passado para investigar exposições prévias.
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