SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020
Duas mil e quatrocentas mulheres foram observadas por um período de tempo para se avaliar a associação entre o uso de dispositivo intrauterino e dispareunia. Destas, 1900 não usavam dispositivos. Observou-se que 100 mulheres desenvolveram Dispareunia, das quais 30 estiveram expostas ao uso de dispositivos. Qual o tipo de estudo epidemiológico utilizado?
Coorte = Exposição → Desfecho (avalia Incidência e Risco Relativo).
O estudo de coorte acompanha grupos definidos pela exposição para observar a ocorrência do desfecho, permitindo estabelecer a sequência temporal e calcular a incidência.
Os estudos de coorte representam o padrão-ouro dos estudos observacionais para estabelecer causalidade. Eles são classificados como estudos longitudinais e analíticos. No cenário da questão, o acompanhamento de mulheres usuárias e não usuárias de DIU para observar o surgimento de dispareunia caracteriza perfeitamente esse desenho, pois o pesquisador parte da exposição (uso do dispositivo) em direção ao desfecho clínico. Na prática epidemiológica, a coorte pode ser prospectiva (acompanhamento em tempo real) ou histórica/retrospectiva (usando registros passados para definir a exposição). A principal métrica é o Risco Relativo (RR), calculado pela razão entre a incidência nos expostos e a incidência nos não expostos. É fundamental para o residente dominar esses conceitos para interpretar corretamente a literatura médica e as evidências de segurança de intervenções a longo prazo.
A principal diferença reside no ponto de partida: o estudo de coorte inicia com indivíduos expostos e não expostos a um fator e os acompanha para observar o desfecho (prospectivo ou retrospectivo), enquanto o caso-controle seleciona indivíduos já com o desfecho (casos) e os compara a quem não tem (controles) para investigar exposições passadas.
Por acompanhar indivíduos ao longo do tempo, a coorte permite o cálculo direto da incidência da doença nos grupos expostos e não expostos, possibilitando a determinação do Risco Relativo (RR), que indica a força de associação entre a exposição e o desfecho.
As vantagens incluem a capacidade de estabelecer a relação temporal (a exposição precede o desfecho), estudar exposições raras, avaliar múltiplos desfechos de uma única exposição e minimizar o viés de memória, comum em estudos retrospectivos.
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