HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Uma empresa fabricante de agrotóxicos desenvolveu suas atividades em uma cidade de porte médio durante aproximadamente 20 anos até 2020. Após denúncias feitas pelo sindicato de trabalhadores e pela associação de moradores de um dos condomínios próximo, foram realizadas investigações que revelaram contaminações do solo e do lençol freático por várias substâncias químicas, entre as quais organoclorados. Pretende-se identificar as repercussões sobre a saúde da população e dos trabalhadores da empresa decorrentes dessa exposição. Assinale a alternativa correta sobre o caso.
Exposição conhecida → Seguir no tempo para ver desfecho = Estudo de Coorte (Incidência).
O estudo de coorte parte da exposição para o desfecho, permitindo calcular a incidência e o risco relativo, sendo ideal para avaliar múltiplos efeitos de uma exposição específica.
Em cenários de contaminação ambiental e ocupacional prolongada, como o caso de indústrias de agrotóxicos, a escolha do desenho epidemiológico é crucial para estabelecer o nexo causal. O estudo de coorte é o desenho analítico observacional mais robusto para este fim, pois preserva a temporalidade (a exposição precede o desfecho) e minimiza vieses de memória comuns em estudos de caso-controle. Ao comparar trabalhadores expostos a organoclorados com um grupo não exposto, a coorte permite identificar não apenas uma doença específica, mas todo o espectro de morbidade associado à substância. Embora exija mais tempo e recursos, sua capacidade de fornecer medidas de incidência e risco relativo é indispensável para a formulação de políticas de vigilância em saúde e reparação de danos coletivos.
A principal vantagem é a capacidade de calcular diretamente a incidência da doença nos grupos expostos e não expostos, permitindo a obtenção do Risco Relativo (RR). Além disso, a coorte permite avaliar múltiplos desfechos clínicos que podem surgir de uma única exposição, o que é fundamental em casos de contaminação química complexa.
Em uma coorte retrospectiva, o pesquisador utiliza registros passados (prontuários, registros de fábrica) para identificar quem estava exposto e quem não estava em um ponto determinado do passado. A partir daí, reconstrói-se a trajetória de saúde desses indivíduos até o presente para verificar a ocorrência de doenças, mantendo a lógica de 'exposição para o desfecho'.
O estudo ecológico utiliza dados agregados de populações ou regiões geográficas, não possuindo informações sobre o status de exposição individual. Isso pode levar à 'falácia ecológica', onde uma associação observada no nível populacional não se sustenta no nível individual, tornando-o inadequado para determinar medidas diretas de risco.
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