IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2019
Foi realizado um estudo para avaliar a associação entre microcefalia e a infecção congênita pelo vírus zika. 75 recém-natos com e sem microcefalia foram selecionados e submetidos à investigação laboratorial para detecção do vírus, assim como suas mães. Os resultados do estudo são apresentados na tabela a seguir. Assinale a alternativa que interpreta corretamente os resultados desta investigação epidemiológica, levando em consideração o desenho do estudo e as medidas de associação que podem ser estimadas.
Estudo caso-controle → calcula Odds Ratio (razão de chances), não risco relativo ou prevalência.
O desenho de estudo caso-controle seleciona indivíduos com (casos) e sem (controles) a doença e investiga a exposição prévia. Nesses estudos, a medida de associação adequada é a Odds Ratio (razão de chances), que estima a chance de exposição entre os casos comparada aos controles, e não o risco relativo ou a prevalência.
Estudos epidemiológicos são ferramentas cruciais para compreender a etiologia e a distribuição das doenças. Entre os diversos desenhos, o estudo caso-controle é particularmente útil para investigar doenças raras ou com longos períodos de latência, como a associação entre microcefalia e infecção congênita pelo vírus Zika. Neste tipo de estudo, a seleção dos participantes é feita a partir do desfecho (doença), comparando-se a frequência de exposição a um fator de risco entre indivíduos doentes (casos) e não doentes (controles). A principal medida de associação que pode ser estimada em um estudo caso-controle é a Odds Ratio (OR), ou razão de chances. A OR representa a chance de exposição entre os casos dividida pela chance de exposição entre os controles. Ela indica o quanto a chance de ter sido exposto ao fator de risco é maior nos indivíduos com a doença em comparação com aqueles sem a doença. É importante ressaltar que, em estudos caso-controle, não é possível calcular diretamente o risco relativo ou a prevalência da doença na população, pois a amostra é selecionada com base no desfecho e não na exposição. Para residentes, a correta interpretação dos resultados de estudos epidemiológicos, incluindo a distinção entre os tipos de estudo e as medidas de associação apropriadas (como OR para caso-controle e Risco Relativo para coorte), é fundamental para a prática baseada em evidências. A compreensão da Odds Ratio permite avaliar a força da associação entre um fator de risco e uma doença, auxiliando na tomada de decisões clínicas e na formulação de políticas de saúde pública.
Em um estudo caso-controle, os participantes são selecionados com base na presença (casos) ou ausência (controles) da doença ou desfecho de interesse, e então a exposição prévia a um fator de risco é investigada retrospectivamente em ambos os grupos.
A Odds Ratio (razão de chances) é a medida adequada porque estudos caso-controle não permitem calcular a incidência da doença diretamente, o que é necessário para o Risco Relativo. A Odds Ratio estima a chance de exposição entre os casos em comparação com os controles, sendo uma boa aproximação do Risco Relativo quando a doença é rara.
O Risco Relativo (RR) é a razão das incidências da doença entre expostos e não expostos, calculado em estudos de coorte. A Odds Ratio (OR) é a razão das chances de exposição entre casos e controles, calculada em estudos caso-controle. O RR mede o risco, enquanto a OR mede a chance de exposição.
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