UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2018
Em um estudo, cujo objetivo foi identificar fatores associados com a ocorrência de câncer de laringe, foram incluídos 289 indivíduos que apresentavam diagnóstico recente de câncer de laringe e 578 indivíduos sem este diagnóstico. Exposições passadas dos indivíduos foram comparadas e analisadas por meio de modelos de regressão logística. O tipo de delineamento epidemiológico utilizado no estudo foi:
Estudo que compara exposição passada entre indivíduos com e sem doença → delineamento caso-controle.
O delineamento caso-controle é caracterizado pela seleção de indivíduos com a doença (casos) e sem a doença (controles), e pela investigação retrospectiva de suas exposições a fatores de risco no passado, sendo eficiente para doenças raras ou com longo período de latência.
Os delineamentos epidemiológicos são ferramentas essenciais para investigar a ocorrência e os determinantes das doenças na população. O estudo caso-controle é um tipo de estudo observacional analítico, amplamente utilizado para identificar fatores de risco para doenças, especialmente aquelas com baixa prevalência ou longo período de latência, como o câncer. Nesse tipo de estudo, os pesquisadores selecionam um grupo de indivíduos que já desenvolveram a doença de interesse (casos) e um grupo de indivíduos sem a doença (controles). Em seguida, retrospectivamente, investigam a exposição passada a potenciais fatores de risco em ambos os grupos. A comparação das frequências de exposição entre casos e controles permite estimar a associação entre a exposição e a doença, geralmente por meio do cálculo do Odds Ratio (OR). Embora eficientes, os estudos caso-controle são suscetíveis a vieses, como o viés de recordatório (diferenças na capacidade de lembrar exposições passadas entre casos e controles) e o viés de seleção (diferenças sistemáticas entre casos e controles que não são devidas à exposição). É crucial uma seleção cuidadosa dos controles para garantir que sejam representativos da população de origem dos casos e que os vieses sejam minimizados.
A principal vantagem é a eficiência para estudar doenças raras ou com longo período de latência, pois não é necessário acompanhar um grande número de indivíduos por muito tempo para observar os desfechos, economizando tempo e recursos.
As limitações incluem a dificuldade em estabelecer a temporalidade entre exposição e desfecho, o risco de vieses de seleção e de recordatório, e a impossibilidade de calcular diretamente a incidência ou risco absoluto, apenas o Odds Ratio.
Os controles devem ser representativos da população da qual os casos surgiram e ter a mesma probabilidade de exposição que os casos, caso não tivessem a doença. Podem ser selecionados da comunidade, hospital ou por pareamento, visando minimizar vieses.
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