UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2016
Em 2011 foram registrados 550 casos novos de uma doença nova e desconhecida no Maranhão. Os casos estavam distribuídos por todo o estado. Destes, 120 evoluíram para óbito. A Secretaria Estadual de Saúde resolveu investigar a situação para identificar as causas da doença. Realizaram entrevista e coletaram sangue, urina e fezes dos doentes. O mesmo procedimento foi executado com os familiares e vizinhos sem a doença. Sabendo-se que a população do estado era de 6 milhões de habitantes na ocasião, responda a questão. O estudo realizado foi do tipo:
Doentes (casos) vs. Não doentes (controles) investigando exposição prévia = Caso-Controle.
O estudo caso-controle parte do desfecho (doença) para a exposição, sendo o delineamento de escolha para investigar causas de doenças novas ou raras de forma rápida e econômica.
O delineamento de estudos epidemiológicos é pilar fundamental da medicina baseada em evidências. O estudo caso-controle é um estudo observacional, analítico e geralmente retrospectivo. No cenário descrito, a coleta de material biológico e entrevistas serve para identificar o agente etiológico ou fatores ambientais compartilhados. A escolha de vizinhos e familiares como controles visa parear variáveis de confusão, como nível socioeconômico e exposição geográfica, aumentando a validade interna do estudo ao tentar isolar a causa específica da nova doença.
O estudo é classificado como caso-controle porque a Secretaria de Saúde identificou primeiro os indivíduos que já possuíam a doença (550 casos novos) e, em seguida, selecionou um grupo de comparação sem a doença (familiares e vizinhos, que atuam como controles). A investigação então retrocede para analisar exposições passadas (através de entrevistas e exames) que possam explicar a ocorrência do desfecho. Diferente da coorte, que parte da exposição para o desfecho, o caso-controle parte do desfecho para a exposição.
Em situações de doenças desconhecidas ou surtos súbitos, o caso-controle é extremamente eficiente por ser mais rápido e barato que um estudo de coorte. Ele permite investigar múltiplos fatores de risco simultaneamente para uma única doença. Como o desfecho já ocorreu, não é necessário aguardar anos para observar o surgimento da patologia, o que é vital para intervenções rápidas de saúde pública em estados como o Maranhão, conforme o cenário descrito.
A principal medida de associação em estudos de caso-controle é o Odds Ratio (OR), ou Razão de Chances. Como não conhecemos a incidência real da doença na população total exposta e não exposta (já que selecionamos os grupos fixos de casos e controles), não podemos calcular o Risco Relativo diretamente. O OR estima quantas vezes a chance de exposição entre os casos é maior do que a chance de exposição entre os controles, sugerindo um fator de risco ou proteção.
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