UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Para examinar o possível papel de diabetes mellitus (DM) na etiologia do câncer de pâncreas (CP), foram investigados 720 pacientes com diagnóstico recente de CP e 720 pacientes internados por outras doenças. Os participantes foram recrutados em três hospitais, durante um período de dois anos. Entre os pacientes com CP, 64 relataram história prévia de DM (há pelo menos dois anos antes da data de internação). Entre os pacientes com outras doenças, 50 referiam prévia de DM (também há pelo menos dois anos antes da data de internação). Em relação a este estudo, podemos afirmar que:
Estudo caso-controle: compara exposição prévia entre casos (doentes) e controles (não doentes).
O estudo apresentado compara a história prévia de Diabetes Mellitus (exposição) entre dois grupos: pacientes com câncer de pâncreas (casos) e pacientes internados por outras doenças (controles). Essa estrutura, que parte do desfecho para investigar a exposição passada, caracteriza um estudo caso-controle.
Os estudos epidemiológicos são ferramentas essenciais para investigar a etiologia das doenças e a distribuição dos problemas de saúde na população. Dentre os desenhos de estudo analíticos, o estudo caso-controle é um dos mais utilizados, especialmente para investigar fatores de risco de doenças raras ou com longo período de latência. Nesse tipo de estudo, os pesquisadores identificam um grupo de indivíduos com a doença de interesse (os "casos") e um grupo de indivíduos sem a doença, mas que são semelhantes aos casos em outras características relevantes (os "controles"). Em seguida, retrospectivamente, investiga-se a história de exposição a um ou mais fatores de risco em ambos os grupos. O objetivo é comparar a frequência da exposição entre casos e controles para determinar se a exposição está associada à doença. No exemplo dado, pacientes com câncer de pâncreas são os casos, e pacientes internados por outras doenças são os controles, investigando-se a exposição prévia ao diabetes mellitus. Para os residentes, é crucial compreender os diferentes desenhos de estudo epidemiológicos para criticar a literatura médica e planejar pesquisas. O estudo caso-controle, embora eficiente, é propenso a vieses, como o viés de memória (recall bias) e o viés de seleção. A medida de associação primária para estudos caso-controle é o Odds Ratio (OR), que estima a chance de exposição entre os casos em comparação com os controles.
A principal característica é que ele parte do desfecho (doença) para investigar a exposição prévia a um fator de risco. Compara-se a frequência da exposição entre um grupo de casos (com a doença) e um grupo de controles (sem a doença).
É indicado para investigar doenças raras, doenças com longo período de latência entre exposição e desfecho, ou quando a exposição é rara, pois é mais eficiente e menos custoso que um estudo de coorte nessas situações.
Vantagens incluem ser relativamente rápido e barato, ideal para doenças raras. Desvantagens são a suscetibilidade a vieses (especialmente de memória e seleção) e a impossibilidade de calcular incidência ou risco relativo diretamente, apenas Odds Ratio.
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