PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Um pesquisador formulou a hipótese de que o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir está associado a alterações no padrão de crescimento infantil. Para testar sua hipótese, ele selecionou 150 crianças com crescimento abaixo do esperado (identificadas por registros médicos) e 150 crianças com crescimento dentro do esperado (também identificadas por registros médicos). Ele entrevistou os pais dessas crianças para coletar informações sobre o uso de dispositivos eletrônicos no período noturno nos últimos três anos. Esse é um exemplo de qual tipo de estudo?
Caso-Controle = Parte do desfecho (doente vs sadio) para investigar a exposição passada.
O estudo caso-controle é um desenho observacional e retrospectivo que compara indivíduos com uma doença (casos) a indivíduos sem a doença (controles) para identificar fatores de risco.
Na hierarquia da evidência científica, o estudo caso-controle situa-se acima dos relatos de caso e estudos transversais, mas abaixo dos estudos de coorte e ensaios clínicos controlados. Sua natureza retrospectiva o torna uma ferramenta poderosa para gerar hipóteses etiológicas que podem ser testadas posteriormente em desenhos mais robustos. No exemplo da questão, ao selecionar crianças com crescimento alterado (casos) e crianças normais (controles) para olhar para o passado (uso de eletrônicos), o pesquisador utiliza a lógica clássica do caso-controle. Este desenho é fundamental na investigação de surtos e na identificação inicial de teratógenos ou carcinógenos ambientais.
A medida de associação clássica é o Odds Ratio (Razão de Chances). Como o pesquisador seleciona os participantes com base no desfecho (já doentes), não é possível calcular a incidência da doença, o que impede o cálculo direto do Risco Relativo. O Odds Ratio estima a chance de exposição entre os casos comparada à chance de exposição entre os controles.
Os estudos caso-controle são ideais para estudar doenças raras ou com longo período de latência, pois partem de indivíduos já doentes. São geralmente mais rápidos e baratos que os estudos de coorte, exigem amostras menores e permitem a investigação de múltiplos fatores de risco simultâneos para uma única doença.
As principais limitações incluem a vulnerabilidade a vieses, especialmente o viés de memória (os participantes podem não recordar com precisão exposições passadas) e o viés de seleção (dificuldade em escolher um grupo controle que represente adequadamente a população de onde vieram os casos). Além disso, não estabelecem causalidade direta, apenas associação.
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