UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Escolar do sexo feminino, 7 anos, retorna com exames à UBS que haviam sido solicitados devido a quadro de dores abdominais recorrentes, náuseas, vômitos eventuais episódios esporádicos de diarreia. Parasitológico das fezes evidenciou infecção por S. stercoralis. Diante do diagnóstico, são opções terapêuticas, EXCETO:
Estrongiloidíase: Ivermectina é 1ª escolha; Mebendazol NÃO é eficaz.
A estrongiloidíase, causada por Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal que pode ser grave, especialmente em imunocomprometidos. O tratamento de escolha é a Ivermectina, enquanto o Mebendazol não possui eficácia comprovada contra este parasita, sendo uma opção terapêutica incorreta.
A estrongiloidíase, causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal de distribuição global, com maior prevalência em regiões tropicais e subtropicais. Sua particularidade reside no ciclo de auto-infecção, que permite a persistência da infecção por décadas e o risco de formas graves, como a síndrome de hiperinfecção, especialmente em indivíduos imunocomprometidos. O diagnóstico é feito principalmente pelo exame parasitológico de fezes, embora métodos mais sensíveis como o método de Baermann-Moraes ou cultura em ágar possam ser necessários. O tratamento da estrongiloidíase é crucial para evitar complicações. A Ivermectina é considerada o fármaco de primeira escolha devido à sua alta eficácia e bom perfil de segurança. Outras opções incluem o Albendazol e o Tiabendazol, embora este último seja menos utilizado devido aos seus efeitos colaterais. O Cambendazol também é uma opção, mas menos comum na prática clínica atual. É fundamental que residentes e profissionais de saúde conheçam o espectro de ação dos diferentes anti-helmínticos. O Mebendazol, embora eficaz contra outros nematódeos intestinais como Ascaris lumbricoides e Enterobius vermicularis, não possui eficácia comprovada contra Strongyloides stercoralis. A prescrição inadequada pode levar à falha terapêutica e à progressão da doença, ressaltando a importância de um diagnóstico e tratamento precisos.
Os sintomas da estrongiloidíase em crianças podem incluir dores abdominais recorrentes, náuseas, vômitos, diarreia, perda de peso e, em alguns casos, manifestações cutâneas como larva currens.
A Ivermectina é o tratamento de escolha devido à sua alta eficácia contra as formas adultas e larvárias do parasita, boa tolerabilidade e conveniência de dose única, sendo superior a outros anti-helmínticos.
Em pacientes imunocomprometidos, a estrongiloidíase pode evoluir para a síndrome de hiperinfecção, uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela disseminação maciça das larvas para múltiplos órgãos.
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