UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025
Criança, 5 anos de idade, em uso de corticosteroides, há 3 semanas, devido à síndrome nefrótica, apresenta quadro de tosse seca, há 9 dias, com presença de febre por 3 dias (temperatura máxima de 37,9 ºC). Realizada radiografia de tórax, no segundo dia do quadro, com infiltrado intersticial difuso, e hemograma, com hemoglobina de 12,0 g/dL, leucócitos 9500/mm³, neutrófilos 65%, eosinófilos 10% e linfócitos 20%, plaquetas 250.000/mm³. Realizado antiparasitário com melhora dos sintomas. Há 1 dia, repetida radiografia, que não evidenciou alterações patológicas. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o agente responsável por esse quadro clínico.
Imunossupressão + sintomas respiratórios + eosinofilia + melhora com antiparasitário → Strongyloides stercoralis.
A estrongiloidíase é uma infecção oportunista grave em pacientes imunossuprimidos, especialmente aqueles em uso de corticosteroides. O quadro clínico pode mimetizar outras condições respiratórias, mas a presença de eosinofilia e a rápida resposta ao tratamento antiparasitário são pistas diagnósticas importantes para Strongyloides stercoralis, que pode causar a síndrome de hiperinfecção.
A estrongiloidíase, causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal que merece atenção especial em pacientes imunossuprimidos. Diferente de outras helmintíases, o Strongyloides possui a capacidade de autoinfecção, permitindo que o ciclo se perpetue no hospedeiro por décadas. Em indivíduos com imunidade comprometida, como aqueles em uso de corticosteroides para condições como a síndrome nefrótica, essa autoinfecção pode se acelerar, levando à síndrome de hiperinfecção ou à estrongiloidíase disseminada, quadros de alta morbimortalidade. O diagnóstico da estrongiloidíase em imunossuprimidos pode ser desafiador, pois os sintomas são inespecíficos e podem mimetizar outras infecções. A apresentação pulmonar, com tosse, dispneia e infiltrados intersticiais difusos, associada à eosinofilia periférica (embora esta possa estar ausente em casos graves de imunossupressão), deve levantar a suspeita. A história de uso de corticosteroides é um fator de risco crucial. A melhora rápida com antiparasitários, como o ivermectina, reforça o diagnóstico. A prevenção e o tratamento precoce são vitais. Em pacientes que serão submetidos à imunossupressão e que residem ou viajaram para áreas endêmicas, a triagem para Strongyloides e o tratamento profilático podem ser considerados. Residentes devem estar cientes dessa infecção oportunista para evitar atrasos diagnósticos e terapêuticos que podem ser fatais em pacientes vulneráveis.
Em pacientes imunossuprimidos, especialmente aqueles em uso de corticosteroides, o Strongyloides stercoralis pode causar a síndrome de hiperinfecção ou estrongiloidíase disseminada, uma condição grave e potencialmente fatal devido à autoinfecção acelerada e migração larval para múltiplos órgãos.
As manifestações pulmonares incluem tosse seca, dispneia, sibilos e infiltrados pulmonares, que podem ser transitórios (síndrome de Loeffler) ou evoluir para pneumonia grave na hiperinfecção. A eosinofilia periférica é um achado comum, mas pode estar ausente em casos de hiperinfecção grave.
A eosinofilia é uma resposta imunológica comum à infecção por Strongyloides stercoralis, especialmente durante a fase de migração larval. No entanto, em casos de hiperinfecção grave em imunossuprimidos, a eosinofilia pode estar ausente devido à supressão da resposta imune do hospedeiro.
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