Estrongiloidíase Hiperinfecção: Diagnóstico e Manejo Urgente

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 53 anos de idade, agricultor, é trazido ao pronto atendimento devido à febre, há 2 dias, associada à dispneia. Ao exame físico inicial, o paciente apresentava resposta motora e verbal apenas ao estímulo doloroso, frequência respiratória de 44 rpm com cianose de extremidades e saturação periférica de oxigênio de 63%, necessitando de intubação orotraqueal. Foi coletada amostra de secreção traqueal, cuja análise microscópica detectou a presença de larvas. Segundo relato da esposa, o paciente era portador de diabetes tipo 2 insulinodependente e HTLV-1. Além do uso irregular de insulina, também estava em uso de prednisona 40 mg duas vezes ao dia, há 5 dias, devido à lombalgia, por indicação de um vizinho.Em relação à principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Ascaridíase.
  2. B) COVID-19.
  3. C) Esquistossomose.
  4. D) Estrongiloidíase.
  5. E) Paracoccidioidomicose.

Pérola Clínica

Imunossupressão + larvas em secreção traqueal + quadro grave → hiperinfecção por Strongyloides stercoralis.

Resumo-Chave

A síndrome de hiperinfecção por Strongyloides stercoralis é uma complicação grave em pacientes imunossuprimidos, especialmente aqueles em uso de corticoides ou com HTLV-1. A presença de larvas em secreções respiratórias em um paciente com insuficiência respiratória aguda é um achado patognomônico.

Contexto Educacional

A estrongiloidíase, causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal endêmica em regiões tropicais e subtropicais. Sua particularidade reside na capacidade de autoinfecção, permitindo que o parasita persista no hospedeiro por décadas. Em pacientes imunocompetentes, a infecção é frequentemente assintomática ou causa sintomas gastrointestinais leves. No entanto, em pacientes imunossuprimidos, como aqueles em uso de corticosteroides, com HTLV-1, ou outras condições que comprometem a imunidade celular, pode ocorrer a síndrome de hiperinfecção ou estrongiloidíase disseminada. Nesses quadros, há uma replicação maciça do parasita e migração de larvas para múltiplos órgãos, incluindo pulmões, sistema nervoso central e trato gastrointestinal, resultando em sepse por bactérias entéricas e falência de múltiplos órgãos. O diagnóstico precoce é crucial, mas desafiador, pois a eosinofilia pode estar ausente. A identificação de larvas em escarro, lavado broncoalveolar, fezes ou outros fluidos corporais é confirmatória. O tratamento com ivermectina é a pedra angular, muitas vezes em combinação com albendazol em casos graves. A profilaxia em pacientes de risco antes da imunossupressão é fundamental para prevenir essa complicação devastadora.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco predispõem à hiperinfecção por Strongyloides?

Os principais fatores de risco incluem o uso de corticosteroides, infecção por HTLV-1, transplante de órgãos, malignidades hematológicas e desnutrição. A imunossupressão compromete a capacidade do hospedeiro de controlar a replicação do parasita.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da síndrome de hiperinfecção?

O diagnóstico é feito pela detecção de larvas rabditoides ou filariformes em amostras clínicas, como escarro, lavado broncoalveolar, fezes, urina ou biópsias de tecidos. A eosinofilia pode estar ausente devido à imunossupressão.

Qual o tratamento de escolha para a estrongiloidíase disseminada?

O tratamento de escolha é a ivermectina, geralmente em doses mais elevadas e por tempo prolongado do que na infecção crônica. Em casos graves, pode ser associada a albendazol. É crucial iniciar o tratamento o mais rápido possível.

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