CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
Menino de 4 anos, proveniente de uma comunidade rural, há 7 dias iniciou quadro de febre, que durou 4 dias, tosse com expectoração hialina e diarreia, com fezes líquidas de cor amarelo-esverdeada, odor fétido, 5 vezes ao dia, sem muco ou sangue. Apresenta-se com adinamia e recusa alimentar. Ao exame: regular estado geral, acianótico, anictérico, afebril, hidratado, hipocorado (1+/4+), ausculta cardíaca sem alterações, ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Abdome normotenso, globoso, hipertimpânico, indolor, fígado palpável a 3 cm do RCD, parenquimatoso. Exames laboratoriais: hemograma com Hb: 8,5 g/dl; Leucócitos: 12.000 (25% de eosinófilo), RX tórax com infiltrado peri-hilar e hilar difuso. Qual o provável agente responsável pela associação deste quadro intestinal com manifestação pulmonar e a opção terapêutica?
Estrongiloidíase = diarreia + sintomas pulmonares + eosinofilia + anemia.
A estrongiloidíase pode causar manifestações pulmonares (síndrome de Loeffler) e intestinais, com eosinofilia marcante e anemia. O tiabendazol é uma opção terapêutica, embora a ivermectina seja preferida atualmente devido ao perfil de efeitos adversos.
A estrongiloidíase, causada pelo parasita Strongyloides stercoralis, é uma infecção comum em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em comunidades rurais com saneamento precário. É uma parasitose de particular importância clínica devido à sua capacidade de causar autoinfecção e hiperinfecção em pacientes imunocomprometidos, com alta morbidade e mortalidade. A apresentação clínica é variada, incluindo manifestações cutâneas, gastrointestinais e pulmonares. O diagnóstico da estrongiloidíase é frequentemente suspeitado pela presença de eosinofilia persistente, sintomas gastrointestinais como diarreia crônica e dor abdominal, e sintomas pulmonares como tosse e sibilos, que caracterizam a Síndrome de Loeffler. O exame parasitológico de fezes é crucial, embora a detecção das larvas possa ser intermitente, exigindo múltiplas amostras ou técnicas de concentração. A radiografia de tórax pode revelar infiltrados pulmonares difusos. O tratamento de escolha para a estrongiloidíase é a ivermectina, que demonstrou alta eficácia e um perfil de segurança favorável. O tiabendazol, embora eficaz, possui mais efeitos adversos e é menos utilizado atualmente. É fundamental tratar todos os casos, especialmente antes de iniciar terapias imunossupressoras, para prevenir a síndrome de hiperinfecção.
A estrongiloidíase pode manifestar-se com diarreia crônica, dor abdominal, anemia, perda de peso, e sintomas pulmonares como tosse e sibilos, além de eosinofilia persistente.
Os sintomas pulmonares ocorrem devido à migração das larvas filariformes de Strongyloides stercoralis pelos pulmões durante seu ciclo de vida, causando a Síndrome de Loeffler, caracterizada por infiltrados pulmonares e eosinofilia.
A ivermectina é o tratamento de escolha para a estrongiloidíase devido à sua alta eficácia e melhor perfil de segurança em comparação com o tiabendazol, que possui mais efeitos adversos.
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