SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Um escolar de oito anos é atendido em uma UBS, com dor abdominal há três semanas, que cedeu espontaneamente. Há dois dias apresenta desconforto respiratório e sibilância. A genitora nega crises de dispneia ou sibilância prévias. O médico solicitou hemograma, que demonstrou anemia microcíticas hipocrômica discreta e eosinofilia relativa e absoluta moderada. Qual é o agente parasitário mais provável para o caso?
Eosinofilia + Sintomas respiratórios (Ciclo de Loss) + Dor abdominal = Estrongiloidíase.
O Strongyloides stercoralis realiza o ciclo de Loss, onde as larvas migram pelos pulmões, causando sibilância e infiltrados pulmonares transitórios (Síndrome de Loeffler), acompanhados de eosinofilia marcante.
A estrongiloidíase é uma parasitose única devido à sua capacidade de autoinfecção, o que permite que a infecção persista por décadas no hospedeiro. Em pacientes imunocomprometidos, pode evoluir para a forma disseminada ou síndrome de hiperinfecção, com alta mortalidade. O diagnóstico diferencial de sibilância na infância deve sempre considerar causas infecciosas em áreas endêmicas. A presença de eosinofilia absoluta moderada a alta é um sinal de alerta para helmintíases. O tratamento de escolha para Strongyloides stercoralis é a Ivermectina, apresentando taxas de cura superiores ao Albendazol nesta patologia específica.
O Ciclo de Loss é o percurso migratório que alguns helmintos realizam no hospedeiro humano. Após a penetração na pele ou ingestão, as larvas caem na corrente sanguínea, chegam aos capilares pulmonares, atravessam a membrana alvéolo-capilar e ascendem pela árvore brônquica até a faringe, onde são deglutidas para alcançar o intestino delgado. Os principais parasitas que realizam este ciclo são o Ascaris lumbricoides, o Ancylostoma duodenale, o Necator americanus e o Strongyloides stercoralis. Durante a passagem pelos pulmões, as larvas causam uma reação inflamatória local que se manifesta clinicamente como tosse, dispneia e sibilância.
A Síndrome de Loeffler é uma forma de pneumonia eosinofílica causada pela migração larval de parasitas pelos pulmões. Clinicamente, o paciente apresenta sintomas respiratórios leves a moderados, como tosse seca, sibilância e desconforto retroesternal. Laboratorialmente, observa-se uma eosinofilia periférica significativa. Radiologicamente, podem aparecer infiltrados pulmonares migratórios e efêmeros. É uma condição autolimitada, mas indica uma carga parasitária ativa que requer tratamento específico para erradicar os vermes adultos no trato gastrointestinal.
Embora a anemia seja mais clássica e severa nos ancilostomídeos (que se alimentam ativamente de sangue), a estrongiloidíase crônica também pode levar a quadros de anemia microcítica e hipocrômica. Isso ocorre devido à inflamação crônica da mucosa intestinal, que pode causar micro-sangramentos e má absorção de nutrientes, incluindo ferro. No caso clínico apresentado, a anemia discreta associada à dor abdominal crônica e aos sintomas respiratórios agudos reforça o diagnóstico de uma parasitose com ciclo pulmonar e impacto sistêmico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo