Estrongiloidíase Disseminada: Sinais Neurológicos Chave

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Ícaro, 36 anos, agricultor, portador de miastenia gravis diagnosticada há 10 anos. Realizou timectomia há 5 anos, após a qual passou fazer uso de prednisona (80 mg/dia). Foi admitido no pronto socorro com quadro de vômitos e diarreia aquosa esverdeada há 10 dias. Nesta ocasião, recebeu medicamentos sintomáticos e hidratação endovenosa. Sem melhora, há dois dias começou a apresentar febre, cefaleia intensa, falta de apetite, dor abdominal e tosse produtiva com escarro hemoptoico. Foi então internado em leito de enfermaria clínica, evoluindo em poucas horas com rebaixamento do nível de consciência, sinais de hipertensão intracraniana e choque séptico. Durante o atendimento, o plantonista notou o aparecimento de lesões cutâneas maculopapulares serpiginosas na região periumbilical. Dado o acometimento do sistema nervoso central pela principal hipótese diagnóstica, qual o achado mais provável de se encontrar no exame físico neurológico neste momento?

Alternativas

  1. A) Rigidez de nuca
  2. B) Hemiplegia
  3. C) Desvio de rima
  4. D) Midríase direita

Pérola Clínica

Imunossuprimido + gastroenterite + lesões cutâneas serpiginosas + SNC → Estrongiloidíase disseminada → Meningite → Rigidez de nuca.

Resumo-Chave

A estrongiloidíase disseminada ou síndrome de hiperinfecção é uma complicação grave em pacientes imunossuprimidos, como o caso descrito. A invasão do sistema nervoso central pode levar a meningite, cujos sinais clássicos incluem rigidez de nuca, cefaleia e alteração do nível de consciência.

Contexto Educacional

A estrongiloidíase é uma infecção por nematoides causada pelo Strongyloides stercoralis, endêmica em regiões tropicais e subtropicais. Em pacientes imunocompetentes, geralmente é assintomática ou causa sintomas gastrointestinais leves. No entanto, em indivíduos imunossuprimidos, especialmente aqueles em uso de corticosteroides, pode evoluir para a síndrome de hiperinfecção ou estrongiloidíase disseminada, uma condição com alta mortalidade. A síndrome de hiperinfecção ocorre quando há uma auto-infecção maciça, com larvas filariformes invadindo múltiplos órgãos. O quadro clínico é grave, com sintomas gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, vômitos), pulmonares (tosse, hemoptise, infiltrados), cutâneos (lesões serpiginosas, urticariformes) e neurológicos (meningite, encefalite). A invasão do SNC pode ser direta pelo parasita ou secundária a infecções bacterianas gram-negativas carreadas pelas larvas. O diagnóstico é feito pela detecção de larvas em escarro, fezes, lavado brônquico ou LCR. O tratamento de escolha é ivermectina, mas a mortalidade permanece alta. A suspeita precoce em pacientes de risco com quadro grave e multissistêmico é fundamental para o residente, especialmente diante de sinais de meningite como a rigidez de nuca.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais e sintomas da estrongiloidíase disseminada?

A estrongiloidíase disseminada manifesta-se com sintomas gastrointestinais (dor abdominal, diarreia), pulmonares (tosse, hemoptise), cutâneos (lesões serpiginosas, urticariformes) e neurológicos (meningite, encefalite), além de choque séptico.

Como a estrongiloidíase pode afetar o sistema nervoso central?

A invasão do SNC pode ocorrer diretamente pelas larvas do Strongyloides ou, mais comumente, de forma indireta, através da disseminação de bactérias gram-negativas carreadas pelas larvas, causando meningite ou encefalite.

Qual o tratamento para a síndrome de hiperinfecção por Strongyloides?

O tratamento de escolha é a ivermectina, frequentemente em doses repetidas, associada a medidas de suporte e antibióticos para infecções bacterianas secundárias. A mortalidade, contudo, permanece alta.

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