Estrongiloidíase Disseminada: Risco em Imunossuprimidos

UOPCCAN - União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (PR) — Prova 2021

Enunciado

Paciente 45 anos morador de rua, da entrada no hospital com quadro de insuficiência respiratória aguda, sendo necessário iniciar corticoide altas doses. Após início do antibiótico paciente continuou a evoluir febril, com piora do padrão ventilatório, médico assistente iniciou albendazol pois paciente apresentava qual risco?

Alternativas

  1. A) Ascaridíase
  2. B) Amebíase
  3. C) Criptosporidose
  4. D) Esquistossomose
  5. E) Aspergiolose

Pérola Clínica

Imunossupressão (corticoides) em paciente de risco (morador de rua) → risco de estrongiloidíase disseminada, tratar com ivermectina/albendazol.

Resumo-Chave

Pacientes imunossuprimidos, especialmente com uso de corticoides em altas doses, e com histórico de exposição (como moradores de rua), têm alto risco de desenvolver estrongiloidíase disseminada ou síndrome de hiperinfecção por Strongyloides stercoralis. Esta condição pode levar a insuficiência respiratória grave e sepse, sendo a profilaxia ou tratamento empírico com albendazol ou ivermectina crucial.

Contexto Educacional

A estrongiloidíase, causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, é uma infecção parasitária comum em regiões tropicais e subtropicais, especialmente em populações com saneamento básico precário, como moradores de rua. Embora muitas vezes assintomática ou com sintomas leves, a infecção pode se tornar grave e fatal em pacientes imunossuprimidos. A particularidade do Strongyloides é seu ciclo de autoinfecção, onde as larvas rabditoides podem se transformar em filariformes no intestino do hospedeiro e penetrar a mucosa intestinal ou a pele perianal, reinfectando o indivíduo. Em pacientes que recebem imunossupressores, como corticosteroides em altas doses, esse ciclo pode se descontrolar, levando à síndrome de hiperinfecção ou estrongiloidíase disseminada. Nesse cenário, as larvas migram para diversos órgãos (pulmões, fígado, SNC), causando pneumonite, hemorragias, sepse por bactérias entéricas e falência de múltiplos órgãos, com alta mortalidade. Portanto, em pacientes de risco que necessitam de imunossupressão, é fundamental rastrear e tratar a estrongiloidíase previamente ou iniciar tratamento empírico com ivermectina ou albendazol para prevenir essa complicação devastadora.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes imunossuprimidos, especialmente com corticoides, têm risco de estrongiloidíase grave?

Os corticoides suprimem a resposta imune do hospedeiro, permitindo que as larvas de Strongyloides stercoralis que estão em um ciclo autoinfectante se multipliquem descontroladamente, levando à síndrome de hiperinfecção ou disseminação.

Quais são as manifestações clínicas da estrongiloidíase disseminada?

Pode apresentar-se com sintomas pulmonares (pneumonite, insuficiência respiratória), gastrointestinais (dor abdominal, diarreia), cutâneos (larva currens) e sepse por bactérias gram-negativas que as larvas carregam.

Qual o tratamento e profilaxia para estrongiloidíase em pacientes de risco?

O tratamento de escolha é a ivermectina. Em casos de suspeita ou antes de iniciar imunossupressão em pacientes de risco, a profilaxia com ivermectina ou albendazol é recomendada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo