UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015
Um paciente de 72 anos, em uso prolongado de corticosteroides, chega num pronto atendimento com dores abdominais, vômitos e dificuldade respiratória. Internado, é submetido a um lavado brônquico que examinado, mostra vária larvas no fluido. Qual é a mais provável causa das manifestações?
Imunossupressão (corticosteroide) + sintomas gastrointestinais/respiratórios + larvas em lavado brônquico → Hiperinfecção por Strongyloides stercoralis.
Em paciente imunossuprimido, especialmente por corticosteroides, a presença de sintomas gastrointestinais e respiratórios com larvas em lavado brônquico é altamente sugestiva de síndrome de hiperinfecção por Strongyloides stercoralis, uma condição grave e potencialmente fatal.
A estrongiloidíase, causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal que pode se tornar grave em pacientes imunossuprimidos, evoluindo para a síndrome de hiperinfecção. Esta condição é uma emergência médica com alta mortalidade, sendo um tema crítico para residentes. A particularidade do Strongyloides é sua capacidade de autoinfecção, onde as larvas rabditoides se transformam em filariformes no intestino e penetram na mucosa ou pele perianal, reinfectando o hospedeiro. Em imunossuprimidos, especialmente com corticosteroides, esse ciclo é acelerado, levando a uma carga parasitária massiva e disseminação para múltiplos órgãos (pulmões, fígado, SNC). Os sintomas são inespecíficos, incluindo dor abdominal, vômitos, diarreia, tosse, dispneia e infiltrados pulmonares. O diagnóstico é feito pela detecção de larvas em fezes, escarro, lavado brônquico ou biópsias. O tratamento da hiperinfecção é uma urgência e consiste na administração de ivermectina, muitas vezes em combinação com albendazol, por tempo prolongado. A suspensão ou redução da imunossupressão, quando possível, é fundamental. O prognóstico é reservado, e a prevenção em pacientes de áreas endêmicas que iniciarão imunossupressão é crucial, com triagem e tratamento profilático.
O principal fator de risco é a imunossupressão, especialmente o uso de corticosteroides, mas também inclui transplante de órgãos, infecção por HTLV-1, malignidades hematológicas e desnutrição.
Os sistemas mais afetados são o gastrointestinal (dor abdominal, vômitos, diarreia, hemorragia), pulmonar (tosse, dispneia, infiltrados pulmonares, larvas no escarro/lavado brônquico) e cutâneo (larva currens). Pode haver também envolvimento do sistema nervoso central e sepse por bactérias gram-negativas.
O tratamento de escolha é a ivermectina, administrada diariamente até a erradicação das larvas, geralmente por várias semanas. Em casos graves, pode ser combinada com albendazol. É crucial suspender ou reduzir a imunossupressão, se possível.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo