SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022
A parasitose intestinal que, em imunodeprimidos, à síndrome de hiperinfecção caracterizada por dor e distensão abdominal, febre, petéquias, púrpuras, sibilos, hemoptise e que pode evoluir para septicemia é:
Estrongiloidíase em imunodeprimidos → Síndrome de Hiperinfecção com disseminação sistêmica e alta mortalidade.
A estrongiloidíase, causada pelo Strongyloides stercoralis, é particularmente perigosa em pacientes imunodeprimidos. Neles, o ciclo de autoinfecção é acelerado, levando à síndrome de hiperinfecção, uma condição grave com disseminação larvária para múltiplos órgãos e risco elevado de septicemia por bactérias entéricas.
A estrongiloidíase, causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, é uma parasitose intestinal endêmica em regiões tropicais e subtropicais. Sua característica mais peculiar é a capacidade de autoinfecção, onde as larvas rabditoides se transformam em filariformes no intestino do hospedeiro e penetram na mucosa intestinal ou pele perianal, reiniciando o ciclo sem necessidade de reexposição externa. Essa autoinfecção pode persistir por décadas, mesmo após o paciente deixar a área endêmica. Em pacientes imunocomprometidos, especialmente aqueles em uso de corticosteroides, transplantados ou com infecção por HTLV-1, a autoinfecção é acelerada e desregulada, levando à Síndrome de Hiperinfecção. Nesta síndrome, há uma proliferação massiva de larvas filariformes que se disseminam para múltiplos órgãos (pulmões, fígado, cérebro, pele), causando uma doença sistêmica grave. As manifestações clínicas são diversas e incluem dor abdominal intensa, distensão, diarreia, febre, tosse, sibilos, hemoptise, petéquias, púrpuras e, frequentemente, septicemia por bactérias entéricas que são transportadas pelas larvas. O diagnóstico da síndrome de hiperinfecção é desafiador, pois a eosinofilia pode estar ausente em imunodeprimidos. A detecção de larvas em escarro, lavado broncoalveolar, aspirado gástrico ou fezes é crucial. O tratamento é uma emergência médica e geralmente envolve ivermectina, muitas vezes em doses mais elevadas ou por períodos prolongados, e pode ser combinada com albendazol. A mortalidade é alta, podendo chegar a 80-90% se não tratada prontamente, ressaltando a importância do reconhecimento precoce e da profilaxia em pacientes de risco antes da imunossupressão.
Os principais fatores de risco são condições de imunodepressão, como uso de corticosteroides, infecção por HTLV-1, transplante de órgãos, malignidades hematológicas e AIDS. Essas condições comprometem a resposta imune do hospedeiro, permitindo a proliferação descontrolada do parasita.
As manifestações são variadas e graves, incluindo sintomas gastrointestinais (dor abdominal, distensão, diarreia), pulmonares (sibilos, hemoptise, infiltrados), cutâneos (petéquias, púrpuras, larva currens) e neurológicos. A disseminação larvária pode levar a septicemia por bactérias entéricas, com alta mortalidade.
O diagnóstico é feito pela detecção de larvas em escarro, lavado broncoalveolar, fezes ou outros fluidos corporais. O tratamento de escolha é a ivermectina, muitas vezes em doses repetidas, e pode ser associado ao albendazol em casos graves, além de suporte intensivo e tratamento da septicemia.
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