INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Um paciente com 50 anos de idade, morador de zona rural, em condições precárias, sem banheiro na residência e sem rede de água e esgoto na localidade, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) por apresentar dor abdominal de leve intensidade em epigástrio, que piora com a alimentação, associada a náuseas. Refere também urticária. Realizou exame parasitológico de fezes, que foi negativo. Qual o diagnóstico mais provável nesse caso?
Dor epigástrica + Urticária + EPF negativo → Suspeitar de Estrongiloidíase (exige Baermann-Moraes).
A estrongiloidíase mimetiza quadros dispépticos e apresenta manifestações cutâneas alérgicas; o diagnóstico falha em exames de fezes rotineiros pela baixa carga larvária.
A estrongiloidíase é uma parasitose endêmica em regiões tropicais com saneamento deficiente. O quadro clínico clássico envolve dor epigástrica que simula úlcera péptica, náuseas e alterações do hábito intestinal. A presença de manifestações extraintestinais, como urticária recorrente ou a patognomônica 'larva currens' (erupção serpiginosa de progressão rápida), é um forte indício diagnóstico. O manejo clínico exige alto índice de suspeição, especialmente em pacientes que serão submetidos à imunossupressão. O tratamento de primeira linha é a Ivermectina (200 mcg/kg por 1 a 2 dias), que apresenta taxas de cura superiores ao Albendazol para este agente específico.
Diferente de outros helmintos, o Strongyloides stercoralis elimina larvas (e não ovos) de forma intermitente e em pequena quantidade nas fezes. Os métodos convencionais de sedimentação ou flutuação são pouco eficazes para detectar larvas termotrópicas. São necessários métodos específicos como Baermann-Moraes ou Rugai, que utilizam o hidrotropismo e termotropismo das larvas para concentrá-las.
A urticária e o prurido na estrongiloidíase ocorrem devido à migração das larvas pela pele (larva currens) e à resposta imune de hipersensibilidade do hospedeiro (tipo I, mediada por IgE) contra os antígenos do parasita durante seu ciclo biológico, que inclui a passagem pulmonar e cutânea.
O Strongyloides stercoralis possui um ciclo único de auto-infecção. Em pacientes imunossuprimidos (especialmente pelo uso de corticoides), esse ciclo pode se acelerar drasticamente, levando à síndrome de hiperinfecção ou estrongiloidíase disseminada, com translocação bacteriana, sepse por gram-negativos e alta mortalidade.
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