Estrófulo Pediátrico: Diagnóstico e Manejo do Prurigo

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 4 anos é levado ao ambulatório de pediatria com história de lesões cutâneas recidivantes há cerca de 6 meses. A mãe relata que as lesões surgem principalmente após finais de semana em que a família visita um sítio. No exame físico, observam-se pápulas eritematosas, algumas encimadas por uma pequena vesícula central (seropápulas), localizadas predominantemente em membros inferiores e tronco. Algumas lesões apresentam-se dispostas de forma linear, em grupos de três ou quatro. O paciente apresenta prurido intenso, que prejudica o sono, mas não há sinais de supuração, crostas melicéricas ou febre. O restante do exame físico é normal, e a criança tem histórico de rinite alérgica. Com base no quadro clínico e na principal hipótese diagnóstica, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Aplicar permetrina 5% em loção em dose única, estendendo o tratamento para todos os contatos domiciliares e lavagem de roupas em água quente.
  2. B) Prescrever corticoide tópico de alta potência para uso contínuo por 30 dias e orientar o uso de repelentes à base de óleo de citronela.
  3. C) Prescrever antibioticoterapia sistêmica com cefalexina por 7 dias e realizar a dessensibilização com imunoterapia específica imediatamente.
  4. D) Iniciar anti-histamínico de primeira geração para controle do prurido noturno e orientar o uso de repelentes com Icaridina (20-25%) para prevenção.

Pérola Clínica

Pápulas lineares ('café, almoço e jantar') + prurido intenso → Estrófulo (Picada de Inseto).

Resumo-Chave

O estrófulo é uma hipersensibilidade tipo I e IV a picadas de insetos. O tratamento foca no controle do prurido e prevenção rigorosa com repelentes como a Icaridina.

Contexto Educacional

O estrófulo, ou prurigo estrófulo, é uma dermatose comum na infância, resultante de uma reação de hipersensibilidade aos antígenos da saliva de insetos, como pulgas e mosquitos. Clinicamente, manifesta-se por pápulas eritematosas e seropápulas que coçam intensamente, muitas vezes apresentando o sinal de 'café da manhã, almoço e jantar' (lesões lineares). O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na morfologia e história de exposição. O manejo envolve o controle sintomático com anti-histamínicos de primeira geração (especialmente se o sono estiver prejudicado pelo prurido) e corticoides tópicos de média potência para as lesões ativas. A prevenção é o pilar do tratamento, utilizando barreiras físicas e repelentes de comprovada eficácia, como a Icaridina, além do controle ambiental de vetores e tratamento de animais domésticos se necessário.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar estrófulo de escabiose?

O estrófulo apresenta lesões papulovesiculosas (seropápulas) frequentemente em áreas expostas e com disposição linear ou agrupada, sem os túneis característicos da escabiose, que prefere dobras e espaços interdigitais. Além disso, o estrófulo tem relação clara com exposição a ambientes com insetos (sítios, parques) e histórico de atopia.

Qual o repelente mais indicado para crianças?

A Icaridina em concentrações de 20-25% é altamente recomendada pela sua eficácia prolongada (até 10 horas) e segurança em crianças acima de 2 anos, sendo superior a óleos naturais como citronela. O DEET também é uma opção válida, mas a Icaridina costuma ser preferida pelo menor potencial de irritação e odor.

Por que as lesões aparecem em surtos?

O estrófulo é uma reação de hipersensibilidade tardia. A reexposição ao antígeno do inseto (saliva) desencadeia a reativação de lesões antigas e o surgimento de novas, muitas vezes após visitas a locais com maior exposição, como sítios, devido à memória imunológica do paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo