Estrituroplastia na Doença de Crohn: Indicações e Riscos

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

A doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica transmural que normalmente afeta o íleo distal e pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal. Durante a atividade da doença, a condição do paciente pode complicar com abscessos, fístulas internas e externas, obstrução intestinal, necessitando de intervenção cirúrgica. Nas cirurgias em pacientes com doença de Crohn, o procedimento cirúrgico de estricturoplastia está contraindicado na presença de:

Alternativas

  1. A) Exacerbação aguda da doença com obstrução intestinal.
  2. B) Multiplicidade de localizações de pontos de estenose.
  3. C) Enterectomia segmentar prévia.
  4. D) Perfuração de alça intestinal.

Pérola Clínica

Estrituroplastia na Crohn → contraindicada em perfuração, flegmão ou desnutrição grave (risco de deiscência).

Resumo-Chave

A estrituroplastia preserva o comprimento intestinal em estenoses fibróticas, mas é proibitiva em tecidos friáveis, infectados ou perfurados.

Contexto Educacional

A cirurgia na Doença de Crohn é reservada para o tratamento de complicações, já que o procedimento não é curativo. A estrituroplastia surge como uma alternativa conservadora à ressecção, sendo particularmente útil em estenoses fibróticas crônicas. As técnicas mais comuns são a de Heineke-Mikulicz (para estenoses curtas) e a de Finney (para estenoses intermediárias). A segurança do procedimento depende da qualidade do tecido intestinal. Em situações de inflamação aguda severa, perfuração ou sepse local, a integridade da sutura (anastomose) fica comprometida devido à friabilidade tecidual e ao ambiente infectado. Portanto, a perfuração de alça intestinal torna a ressecção a conduta padrão, visando remover o foco infeccioso e garantir uma cicatrização segura.

Perguntas Frequentes

O que é a estrituroplastia e qual sua função?

A estrituroplastia é uma técnica cirúrgica utilizada na Doença de Crohn para tratar estenoses intestinais sem a necessidade de ressecção da alça. O objetivo principal é a preservação do comprimento do intestino delgado, prevenindo a síndrome do intestino curto, especialmente em pacientes que já sofreram múltiplas enterectomias prévias.

Quais as principais contraindicações da estrituroplastia?

As contraindicações absolutas ou relativas incluem: perfuração intestinal com peritonite, presença de flegmão ou abscesso na área da estenose, suspeita de malignidade na lesão, desnutrição grave (albumina < 2.0 g/dL) e estenoses muito longas onde a técnica não seja tecnicamente viável. Nesses casos, a ressecção segmentar é preferível.

A multiplicidade de estenoses impede a realização da técnica?

Não. Pelo contrário, a presença de múltiplas estenoses curtas (especialmente as menores que 10 cm) é a indicação clássica para a técnica de Heineke-Mikulicz. A estrituroplastia permite tratar vários pontos de obstrução mantendo a superfície de absorção intestinal íntegra.

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