EGB na Gestação: Manejo da Infecção Urinária e Profilaxia

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Gestante acompanhada no pré-natal em UBS. G2 P1, primeira gestação com recém-nascido (RN) a termo, tendo recebido Ampicilina durante o Trabalho de Parto (TP) por ter apresentado rastreio positivo para estreptococo do Grupo B (EGB) com 37 semanas. Na primeira consulta desta gestação indaga sobre as condutas a serem tomadas pois leu na internet que este germe pode matar seu bebê e nenhuma orientação foi-lhe dada anteriormente. Qual das seguintes orientações é considerada ERRADA?

Alternativas

  1. A) A profilaxia antibiótica, quando indicada, diminui riscos de complicações do RN associadas ao EGB como a sepse.
  2. B) O rastreio positivo na gestação anterior não modifica as condutas a serem tomadas na gestação atual.
  3. C) Caso apresente infecção urinária com identificação pelo EGB, não há necessidade de tratamento imediato, sendo indicada somente a profilaxia durante o trabalho de parto.
  4. D) O período indicado para coleta de swab anal/vaginal para rastreio é entre a 35ª e a 37ª semanas de idade gestacional. Nas gestantes com alto risco de parto prematuro, pode ser realizado ainda antes da 35ª semana.

Pérola Clínica

Infecção urinária por EGB na gestação → tratamento imediato + profilaxia intraparto, não apenas profilaxia.

Resumo-Chave

A presença de Estreptococo do Grupo B (EGB) na urina de uma gestante, mesmo que assintomática (bacteriúria), indica uma colonização significativa e requer tratamento imediato com antibióticos. Além disso, a profilaxia intraparto é essencial para prevenir a transmissão vertical e a sepse neonatal precoce, não sendo suficiente apenas a profilaxia no trabalho de parto.

Contexto Educacional

O Estreptococo do Grupo B (EGB), ou Streptococcus agalactiae, é uma das principais causas de sepse e meningite neonatal precoce, com alta morbimortalidade. A colonização vaginal e/ou retal por EGB é comum em gestantes, e a transmissão vertical ocorre durante o trabalho de parto. A compreensão do manejo do EGB na gestação é crucial para residentes, visando a prevenção da doença neonatal invasiva. As diretrizes atuais recomendam o rastreio universal para EGB em todas as gestantes entre 35 e 37 semanas de gestação, através de cultura de swab vaginal e anal. No entanto, algumas situações dispensam o rastreio e indicam diretamente a profilaxia intraparto, como histórico de filho anterior com doença invasiva por EGB ou bacteriúria por EGB na gestação atual. A profilaxia antibiótica intraparto, geralmente com penicilina ou ampicilina, é altamente eficaz na redução do risco de sepse neonatal precoce. É fundamental destacar que a infecção urinária por EGB, mesmo assintomática, durante a gestação é um marcador de colonização significativa e um fator de risco independente para sepse neonatal. Portanto, qualquer gestante com EGB identificado na urina deve receber tratamento antibiótico imediato para a infecção urinária e, adicionalmente, a profilaxia intraparto. A alternativa que sugere não tratar a infecção urinária e apenas realizar profilaxia no trabalho de parto está incorreta, pois subestima o risco e a necessidade de erradicação da bacteriúria.

Perguntas Frequentes

Quando é indicado o rastreio para Estreptococo do Grupo B (EGB) na gestação?

O rastreio para EGB é indicado entre a 35ª e a 37ª semanas de idade gestacional, através da coleta de swab vaginal e anal. Em gestantes com alto risco de parto prematuro, pode ser realizado antes da 35ª semana.

Qual a conduta para uma gestante com infecção urinária por EGB?

Gestantes com infecção urinária por EGB, sintomática ou assintomática (bacteriúria), devem receber tratamento antibiótico imediato, independentemente da idade gestacional. Além disso, a profilaxia antibiótica intraparto é obrigatória para prevenir a transmissão vertical.

A profilaxia antibiótica intraparto para EGB é sempre necessária em gestantes com rastreio positivo?

Sim, a profilaxia antibiótica intraparto é indicada para gestantes com rastreio positivo para EGB, histórico de filho anterior com doença invasiva por EGB, bacteriúria por EGB na gestação atual, ou em caso de trabalho de parto prematuro ou ruptura prolongada de membranas com status de EGB desconhecido.

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