Profilaxia EGB na Gestação: Indicações e Fatores de Risco

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Duas gestantes procuram atendimento na emergência da maternidade: Paciente X, de 17 anos, primigesta; realizou quatro consultas no pré-natal da unidade básica de saúde, onde não foi feita cultura para pesquisa do estreptococo do grupo B (EGB). A paciente comparece à maternidade com perda líquida desde o dia anterior; sem outras queixas. Sua idade gestacional calculada pela ultrassonografia é de 35 semanas e 5 dias e o obstetra confirmou amniorrexe no exame especular. Paciente Y, de 31 anos, tercigesta, com duas cesarianas anteriores; apresenta hipertensão crônica controlada com metildopa 1g/dia. A paciente realizou, no pré-natal de alto risco, cultura para EGB com 36 semanas e o resultado foi negativo. Ela comparece à maternidade sem queixas, pois foi encaminhada pela obstetra para cesariana eletiva com 39 semanas. Com relação aos casos apresentados, é correto afirmar que a antibioticoprofilaxia intraparto com a finalidade de prevenir a doença neonatal de início precoce por estreptococo do grupo B é obrigatória

Alternativas

  1. A) apenas na paciente Y, pois, apesar de a cultura realizada para EGB ser negativa, a paciente é multípara e hipertensa.
  2. B) em ambas as pacientes, pois elas possuem fatores de risco para doença neonatal de início precoce por estreptococo do grupo B. 
  3. C) apenas na paciente X, pois sua idade gestacional é inferior a 37 semanas e houve diagnóstico de rotura prematura de membranas ovulares.
  4. D) em nenhuma das pacientes, pois ambas não possuem fatores de risco para doença neonatal de início precoce por estreptococo do grupo B.

Pérola Clínica

Profilaxia EGB obrigatória em RPMO com IG < 37 semanas, mesmo sem cultura, ou em cultura positiva, ou história de RN com doença invasiva por EGB.

Resumo-Chave

A profilaxia intraparto para Estreptococo do Grupo B (EGB) é crucial para prevenir a doença neonatal de início precoce. É indicada em casos de cultura positiva, história de filho anterior com doença invasiva por EGB, bacteriúria por EGB na gestação atual, ou em situações de risco como rotura prematura de membranas (RPMO) antes de 37 semanas, febre intraparto ou trabalho de parto prematuro, mesmo com cultura desconhecida ou negativa.

Contexto Educacional

O Estreptococo do Grupo B (EGB), ou Streptococcus agalactiae, é uma das principais causas de sepse, pneumonia e meningite neonatal de início precoce, com alta morbimortalidade. A colonização vaginal ou retal por EGB é comum em gestantes, e a transmissão vertical durante o parto é o principal mecanismo de infecção neonatal. Por isso, a antibioticoprofilaxia intraparto (API) é uma estratégia crucial para prevenir a doença neonatal. As indicações para a API são bem estabelecidas e incluem: cultura positiva para EGB entre 35 e 37 semanas de gestação; bacteriúria por EGB em qualquer concentração durante a gestação atual; história de filho anterior com doença invasiva por EGB; e fatores de risco intraparto, como trabalho de parto prematuro (idade gestacional < 37 semanas), rotura prematura de membranas ovulares (RPMO) por 18 horas ou mais, ou febre intraparto (temperatura ≥ 38°C). No caso da paciente X, a presença de RPMO com idade gestacional inferior a 37 semanas torna a profilaxia obrigatória, independentemente do status da cultura para EGB. Para a paciente Y, a cultura negativa para EGB com 36 semanas, na ausência de outros fatores de risco intraparto (como RPMO prolongada ou febre), dispensa a necessidade de API. A multiparidade e a hipertensão crônica não são fatores de risco para a doença neonatal por EGB. A penicilina G intravenosa é o antibiótico de escolha para a API, com ampicilina como alternativa e clindamicina ou vancomicina para casos de alergia à penicilina.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para a profilaxia intraparto de EGB?

As principais indicações incluem cultura positiva para EGB na gestação atual, bacteriúria por EGB em qualquer concentração na gestação atual, história de filho anterior com doença invasiva por EGB, e fatores de risco intraparto como trabalho de parto prematuro (<37 semanas), rotura prematura de membranas (RPMO) por 18 horas ou mais, ou febre intraparto (≥38°C).

Por que a rotura prematura de membranas antes de 37 semanas exige profilaxia para EGB?

A rotura prematura de membranas (RPMO) antes de 37 semanas de gestação é um fator de risco independente para a doença neonatal de início precoce por EGB, mesmo que o status da cultura para EGB seja desconhecido ou negativo. A profilaxia é obrigatória devido ao maior risco de infecção ascendente e prematuridade.

Uma cultura negativa para EGB sempre dispensa a profilaxia?

Não, uma cultura negativa para EGB não dispensa a profilaxia se houver outros fatores de risco intraparto, como trabalho de parto prematuro (<37 semanas), rotura prematura de membranas por 18 horas ou mais, ou febre intraparto (≥38°C). Nestes casos, a profilaxia é indicada independentemente do resultado da cultura.

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