UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Recém-nascido de parto normal com 36 semanas de idade gestacional, mãe recebeu antibiótico intraparto, duas horas antes do nascimento, através de colonização por estreptococos do grupo B. O bebê está assintomático, e o exame físico está sem alterações. A melhor conduta a ser realizada é
RN assintomático, mãe com profilaxia intraparto SGB < 4h ou incompleta → observação ≥ 48h + exames laboratoriais.
Em RN assintomáticos, nascidos de mães com profilaxia intraparto para SGB incompleta ou inadequada (como ATB < 4h antes do parto), a conduta é realizar exames laboratoriais (hemocultura, hemograma, PCR) e manter observação clínica por pelo menos 48 horas.
O Estreptococo do Grupo B (SGB), ou Streptococcus agalactiae, é uma das principais causas de sepse neonatal precoce, pneumonia e meningite em recém-nascidos. A profilaxia intraparto com antibióticos é fundamental para reduzir a transmissão vertical e a incidência dessas infecções graves. No entanto, a eficácia da profilaxia depende de sua adequação. No caso descrito, a mãe recebeu antibiótico intraparto apenas duas horas antes do nascimento. Isso configura uma profilaxia inadequada, pois o tempo mínimo para que o antibiótico atinja níveis terapêuticos no feto é de 4 horas. Portanto, mesmo que o bebê esteja assintomático, há um risco aumentado de sepse neonatal precoce por SGB. A conduta recomendada para um recém-nascido assintomático, nascido de mãe com profilaxia intraparto inadequada, é a realização de exames laboratoriais (hemocultura, hemograma e PCR) e a manutenção em observação clínica por um período igual ou superior a 48 horas. A antibioticoterapia empírica só é iniciada se o bebê desenvolver sintomas ou se os exames laboratoriais indicarem infecção. A coleta de LCR e radiografia de tórax são reservadas para bebês sintomáticos ou com forte suspeita de infecção invasiva.
A profilaxia é adequada se a mãe recebeu antibióticos intravenosos apropriados (geralmente penicilina ou ampicilina) por pelo menos 4 horas antes do parto, especialmente em casos de prematuridade, febre intraparto ou ruptura prolongada de membranas.
Fatores de risco incluem prematuridade (<37 semanas), ruptura prolongada de membranas (>18 horas), febre intraparto (>38°C), infecção urinária por SGB durante a gravidez atual e profilaxia intraparto inadequada ou ausente.
A maioria dos casos de sepse neonatal precoce por SGB manifesta-se nas primeiras 24-48 horas de vida. A observação prolongada permite monitorar o aparecimento de sintomas e aguardar resultados de culturas, garantindo intervenção precoce se necessário.
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