Estratificação de Risco Cardiovascular na Pré-Hipertensão

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Homem de 48 anos comparece à UBS para uma consulta de rotina. Relata um trabalho de alta demanda com rotina predominantemente sedentária e uma dieta com consumo frequente de alimentos processados e ultraprocessados. Refere consumo de 3 a 4 latas de cerveja durante os fins de semana. Nega tabagismo. Possui histórico familiar de pai com infarto agudo do miocárdio aos 55 anos. A pressão arterial, aferida em 3 ocasiões distintas durante a consulta, seguindo a técnica recomendada, apresenta média de 128x84 mmHg. IMC: 28,5 kg/m² e circunferência abdominal: 99 cm. Exames séricos recentes: colesterol total: 210 mg/dL; HDL: 42 mg/dL; triglicerídeos: 160 mg/dL; glicemia de jejum: 98 mg/dL. Segundo o exposto, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A pressão arterial do paciente é classificada como normal-limítrofe, sendo a conduta apropriada a reavaliação clínica e laboratorial em um período de 12 meses, sem necessidade de intervenções imediatas.
  2. B) O paciente deve ser classificado com hipertensão limítrofe, e a abordagem inicial deve ser focada em mudanças no estilo de vida, com reavaliação da resposta terapêutica em um prazo de 3 a 6 meses.
  3. C) O aconselhamento para a prática de atividade física deve incluir a recomendação de, no mínimo, 320 minutos semanais de exercícios aeróbicos de intensidade moderada, distribuídos na maioria dos dias da semana.
  4. D) É fundamental realizar a estratificação do risco cardiovascular global do paciente, utilizando ferramentas validadas, pois essa avaliação guiará a intensidade das intervenções e as decisões terapêuticas subsequentes.
  5. E) Recomenda-se a adoção de um padrão alimentar como a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), associada à restrição do consumo de sódio para, no máximo, 4 gramas por dia.

Pérola Clínica

PA 130-139/85-89 mmHg ou fatores de risco → Estratificação de Risco Cardiovascular Global obrigatória.

Resumo-Chave

A conduta na pressão normal-limítrofe não é apenas observacional; a estratificação de risco global define se a intervenção será apenas em estilo de vida ou farmacológica precoce.

Contexto Educacional

A abordagem moderna da hipertensão arterial e do risco metabólico foca no risco absoluto e não apenas em valores isolados de pressão. Pacientes com pressão arterial limítrofe, mas que apresentam obesidade abdominal, dislipidemia e histórico familiar de doença cardiovascular precoce, podem ser classificados como de alto risco cardiovascular. Nesses casos, a estratificação global é o passo fundamental para decidir a urgência e a intensidade das intervenções. Enquanto mudanças no estilo de vida são universais, a introdução de terapia medicamentosa pode ser antecipada se o risco calculado for elevado, visando a proteção de órgãos-alvo e a redução da mortalidade a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Como é definida a pressão normal-limítrofe?

Segundo as diretrizes brasileiras, a pressão normal-limítrofe (ou pré-hipertensão em algumas classificações internacionais) é definida por valores de pressão arterial sistólica entre 130-139 mmHg e/ou diastólica entre 85-89 mmHg. Embora não seja hipertensão estágio 1, esses pacientes apresentam maior risco de progressão para hipertensão estabelecida e eventos cardiovasculares, exigindo uma avaliação criteriosa de outros fatores de risco associados.

Quais ferramentas usar para estratificação de risco?

As principais ferramentas validadas incluem o Escore de Risco Global (ERG) e o Escore de Framingham. Essas calculadoras integram variáveis como idade, sexo, níveis de colesterol (HDL e Total), pressão arterial, presença de diabetes e tabagismo para estimar a probabilidade de um evento cardiovascular maior (infarto ou AVC) nos próximos 10 anos, guiando a agressividade do tratamento.

Qual a meta de sódio recomendada na dieta DASH?

A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) enfatiza o consumo de frutas, vegetais e laticínios com baixo teor de gordura. A recomendação de sódio associada para benefício máximo na redução da pressão arterial é de, no máximo, 2.000 mg de sódio por dia, o que equivale a aproximadamente 5 gramas de sal de cozinha (cloreto de sódio).

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