Estratificação de Risco Cardiovascular: Critérios e Cálculo

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

Marque a alternativa que apresenta corretamente elementos necessários para o cálculo da estratificação de risco cardiovascular segundo as últimas diretrizes brasileiras de prevenção cardiovascular.

Alternativas

  1. A) Sexo, idade, pressão arterial sistólica, tratamento de pressão arterial, tabagismo, uso de estatina, colesterol total e HDL-colesterol.
  2. B) Sexo, idade, pressão arterial média, tratamento de pressão arterial, tabagismo, uso de estatina, colesterol total e LDL-colesterol.
  3. C) Sexo, idade, pressão arterial sistólica, tratamento de pressão arterial, tabagismo, uso de estatina, colesterol total e triglicerídeos.
  4. D) Sexo, idade, pressão arterial média, tratamento de pressão arterial, tabagismo, uso de estatina, colesterol total e HDL-colesterol.

Pérola Clínica

Escore de Risco Global: Idade, Sexo, PAS, Tratamento de PA, Tabagismo, Estatina, CT e HDL.

Resumo-Chave

A estratificação de risco cardiovascular no Brasil utiliza o Escore de Risco Global, integrando variáveis clínicas e laboratoriais (incluindo HDL, não LDL) para predizer eventos em 10 anos.

Contexto Educacional

A estratificação de risco cardiovascular é a pedra angular da prevenção primária. No Brasil, a SBC recomenda o uso do Escore de Risco Global para estimar a probabilidade de eventos cardiovasculares maiores em 10 anos. A identificação correta das variáveis permite a personalização das metas de LDL e a intensidade da terapia com estatinas. É fundamental distinguir entre os fatores de risco usados no cálculo (como HDL) e os alvos terapêuticos (como LDL). Além disso, a presença de condições de 'alto risco automático' simplifica a conduta clínica, eliminando a necessidade de cálculos complexos em populações já vulneráveis, como diabéticos com lesão de órgão-alvo ou portadores de doença renal crônica avançada. O uso correto dessas ferramentas reduz a sobrecarga do sistema de saúde ao focar intervenções intensivas naqueles com maior benefício potencial.

Perguntas Frequentes

Quais são as variáveis do Escore de Risco Global?

O Escore de Risco Global (ERG) é a ferramenta recomendada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia para estimar o risco de eventos cardiovasculares em 10 anos. Ele utiliza variáveis como idade, sexo, pressão arterial sistólica, uso de medicamentos anti-hipertensivos, tabagismo, presença de diabetes e os níveis de colesterol total e HDL-colesterol. É importante notar que, embora o LDL seja o alvo do tratamento, ele não entra no cálculo do escore de Framingham adaptado. O uso de estatinas também é considerado para entender o perfil basal do paciente. A estratificação correta permite classificar o paciente em risco baixo, intermediário, alto ou muito alto, direcionando a agressividade da terapia hipolipemiante e o controle de outros fatores de risco modificáveis.

Por que o LDL não é usado no cálculo inicial do escore?

Embora o LDL-colesterol seja o principal alvo terapêutico na dislipidemia, os modelos preditivos clássicos como o de Framingham, nos quais as diretrizes brasileiras se baseiam para o ERG, foram validados utilizando o Colesterol Total e o HDL. O LDL é utilizado posteriormente para definir as metas de tratamento após a classificação do risco. O HDL-colesterol atua como um fator protetor no modelo matemático, onde níveis mais elevados subtraem pontos do risco total, enquanto o colesterol total e a pressão arterial sistólica adicionam pontos conforme sua elevação, permitindo uma visão mais holística do perfil lipídico do paciente.

Como classificar um paciente como 'Alto Risco' automaticamente?

Pacientes com doença aterosclerótica clinicamente manifesta (IAM, AVC, DAOP), aneurisma de aorta abdominal, diabetes mellitus com estratificadores de risco ou doença renal crônica (TFGe < 60) são automaticamente classificados como de alto risco cardiovascular, independentemente do escore. Nesses casos, a probabilidade de um evento cardiovascular em 10 anos já é considerada superior a 20% para homens e 10% para mulheres. A identificação desses 'atalhos' clínicos é vital na prática de emergência e ambulatório para iniciar imediatamente terapias de alta intensidade, como estatinas potentes, visando metas de LDL rigorosas (geralmente < 50 mg/dL).

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