HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024
Paciente masculino, 73 anos, diagnosticado com Alzheimer de comprometimento funcional e cognitivo moderado. Histórico de DM tipo 2 em uso de metformina há 12 anos, hiperplasia prostática benigna em uso de sonda vesical de demora há mais de 1 ano, histórico negativo de doença arterial coronariana (DAC), doença cerebrovascular (DCV) ou doença arterial obstrutiva periférica (DAOP). Nega tabagismo e/ou etilismo. Encaminhado ao pronto-atendimento por queixa de disúria, polaciúria e dor suprapúbica há três dias, febre moderada e mal-estar geral. Urocultura com crescimento de Escherichia coli produtora de beta-lactamase de espectro estendido. Sem sinais de sepse ou outras disfunções orgânicas.Considerando o paciente do enunciado, classifique as afirmativas abaixo como V. (verdadeira] ou F (falsa) e em seguida assinale a alternativa que contempla a ordem de sua classificação de cima para baixo: [ ] para poder realizar a ERG (estratificação de risco global] de Framingham, são necessários os seguintes dados adicionais do paciente: se está em tratamento regular para HAS, pressão arterial atual, colesterol total, HDL-colesterol. [ ] a meta de hemoglobina glicada para este paciente é < 7,0% [ ] caso este paciente apresente histórico de obstrução arterial maior ou igual a 50% em território coronário, cerebrovascular ou vascular periférico, ele se enquadra no grupo de muito alto risco cardiovascular, independente do fato de apresentar eventos clínicos relacionados e independente do resultado de ERG. [ ] este paciente tem indicação de profilaxia primária com AAS por conta da faixa etária, do comprometimento cognitivo e do DM2.
Idoso frágil/cognitivo ↓ → Meta HbA1c flexível (8-8,5%) + AAS primário evitado.
A estratificação de risco cardiovascular no idoso exige dados lipídicos e pressóricos; metas glicêmicas devem ser individualizadas, priorizando segurança contra hipoglicemias em pacientes com declínio cognitivo.
O manejo do idoso com múltiplas comorbidades e declínio cognitivo exige uma mudança de paradigma da prevenção agressiva para a preservação da qualidade de vida. A estratificação de risco cardiovascular (ERG) orienta a intensidade da terapia com estatinas, mas o uso de AAS na prevenção primária é frequentemente desencorajado pelo alto risco de sangramento gastrointestinal e intracraniano nesta faixa etária, especialmente sem evidência de doença aterosclerótica estabelecida. Em relação ao DM2, as diretrizes da SBD e ADA recomendam metas de HbA1c menos rigorosas para pacientes com prejuízo funcional, prevenindo iatrogenias e simplificando o regime terapêutico.
Para o cálculo da Estratificação de Risco Global (ERG) baseada em Framingham, são necessários: idade, sexo, tabagismo, pressão arterial sistólica, uso de medicação anti-hipertensiva, colesterol total e HDL-colesterol. Esses dados permitem estimar o risco de eventos coronarianos, cerebrovasculares e vasculares periféricos em 10 anos.
Em idosos com comprometimento funcional e cognitivo moderado a grave ou expectativa de vida limitada, as metas de Hemoglobina Glicada (HbA1c) são mais flexíveis, geralmente entre 8,0% e 8,5%. O objetivo principal é evitar hipoglicemias, que podem agravar o quadro cognitivo e causar quedas.
De acordo com as diretrizes brasileiras, pacientes com doença aterosclerótica clinicamente manifesta (infarto prévio, AVC, angina) ou com obstrução arterial comprovada ≥ 50% em qualquer território (coronário, carotídeo ou periférico) são classificados automaticamente como de Muito Alto Risco, independentemente do escore de Framingham.
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