Estratificação de Risco Cardiovascular e Escore de Framingham

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Uma paciente de sessenta e três anos de idade, com antecedente de doença aterosclerótica arterial coronária, dislipidemia, sedentarismo e hipertensão arterial sistêmica, compareceu ao ambulatório para um exame periódico. A paciente estava assintomática e relatou uso regular de atenolol e ácido acetil salicílico nas doses diárias de 50 mg e 100 mg, respectivamente. Ao exame físico, a paciente apresentou peso de 93 kg, altura de 1,65 m, circunferência abdominal de 99 cm, pressão arterial de 152 mmHg × 94 mmHg (posição sentada, média de três aferições), frequência cardíaca de 62 bpm e o restante do exame físico não apresentou alterações. Os exames complementares revelaram creatinina de 0,9 mg/dL, albuminúria (em amostra isolada de urina) de 118 mg de albumina por grama de creatinina, colesterol total de 190 mg/dL, HDL-colesterol de 32 mg/dL, LDL-colesterol de 114 mg/dL, triglicérides de 220 mg/dL e glicemia, em jejum, igual a 101 mg/dL. O eletrocardiograma apresentou resultado dentro da normalidade.Com relação ao caso clínico acima apresentado, Julgue o item seguinte.No caso em apreço, a paciente deverá ser estratificada pelo escore de risco de Framingham quanto à probabilidade de ocorrer infarto do miocárdio ou morte, a fim de se estabelecer a necessidade de exames invasivos.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

DAC estabelecida = Alto Risco Cardiovascular → Framingham é desnecessário para conduta invasiva.

Resumo-Chave

O Escore de Framingham é uma ferramenta de prevenção primária. Pacientes com doença aterosclerótica manifesta já são classificados como de alto risco, exigindo metas terapêuticas agressivas.

Contexto Educacional

A estratificação de risco cardiovascular é o pilar para a definição de metas terapêuticas, especialmente no manejo da dislipidemia e hipertensão. O Escore de Framingham, embora clássico, possui limitações em populações específicas e não deve ser aplicado em prevenção secundária. Em pacientes com aterosclerose subclínica documentada ou eventos prévios, o foco muda para o controle rigoroso dos fatores de risco para evitar a recorrência. Além disso, a presença de condições agravantes, como a albuminúria detectada no caso clínico, sinaliza uma disfunção endotelial sistêmica que exige atenção redobrada.

Perguntas Frequentes

Quando utilizar o Escore de Risco de Framingham?

O Escore de Risco de Framingham é utilizado na prevenção primária para estimar a probabilidade de eventos cardiovasculares (como infarto ou morte por DAC) em 10 anos em indivíduos sem doença cardiovascular manifesta. Ele auxilia na decisão de iniciar terapias preventivas, como estatinas ou aspirina, baseando-se em fatores como idade, sexo, pressão arterial, tabagismo e níveis de colesterol.

Por que não usar Framingham em pacientes com DAC?

Pacientes com doença arterial coronariana (DAC), doença cerebrovascular ou doença arterial periférica já são automaticamente classificados como de alto ou muito alto risco cardiovascular. Nesses casos, a estratificação por escores de probabilidade é redundante, pois a conduta clínica e as metas de LDL já são definidas pelas diretrizes de prevenção secundária.

Qual a importância da albuminúria na estratificação de risco?

A presença de albuminúria (especialmente entre 30-300 mg/g de creatinina) é um marcador de lesão de órgão-alvo e um preditor independente de risco cardiovascular e progressão de doença renal crônica. Em pacientes hipertensos ou diabéticos, sua detecção eleva a categoria de risco do paciente, independentemente de outros fatores.

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