CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Paciente com posição viciosa de cabeça girada para a esquerda. Uma possível causa é:
Cabeça girada para o lado da ação do músculo parético → Estratégia para manter a fusão e evitar diplopia.
O paciente adota uma posição viciosa de cabeça para colocar os olhos em uma posição de olhar onde o músculo afetado não é exigido, mantendo a visão binocular.
O exame da motilidade ocular deve sempre começar pela observação da postura do paciente. A posição viciosa de cabeça (PVC) fornece pistas valiosas sobre qual músculo ou par craniano pode estar afetado. No caso de desvios horizontais, o giro da cabeça indica uma tentativa de neutralizar uma deficiência de adução ou abdução. A regra prática é que a face gira para a direção do campo de ação do músculo parético. Se o reto medial direito (que atua no olhar para a esquerda) está hipofuncionante, a face gira para a esquerda. Essa compensação é uma prova da plasticidade sensorial do sistema visual na busca pela binocularidade, sendo um sinal clínico clássico em estrabologia.
A posição viciosa de cabeça, ou torcicolo ocular, é um mecanismo compensatório utilizado por pacientes com estrabismo incomitante (paralítico ou restritivo) para evitar a diplopia. Ao girar, inclinar ou elevar/abaixar a cabeça, o paciente desloca o campo visual para uma zona onde o desvio ocular é menor ou ausente, permitindo a fusão binocular e o conforto visual.
O reto medial direito é responsável pela adução do olho direito (olhar para a esquerda). Se ele está fraco, o paciente terá dificuldade em convergir ou olhar para a esquerda com esse olho. Para compensar e não precisar usar o músculo parético, o paciente gira a cabeça para a esquerda, o que faz com que os olhos fiquem em dextroversão (olhando para a direita) em relação à órbita, onde o reto medial direito não é solicitado.
Na paralisia do VI par (reto lateral), o paciente gira a cabeça para o lado do músculo parético para evitar a abdução. Na Síndrome de Duane tipo I (limitação da abdução), o comportamento é semelhante. O diagnóstico diferencial baseia-se em outros sinais, como a retração do globo e o estreitamento da fenda palpebral na adução, típicos da Síndrome de Duane.
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