USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem, 72 anos, tabagista. Refere dispneia progressiva (atualmente a mínimos esforços) e tosse seca esporádica há 2 anos. Exame físico: BEG, corado, cianótico, com baqueteamento digital. FR: 28 ipm. Sat O₂: 87% em ar ambiente.Qual ruído adventício mais provável na ausculta respiratória?
Dispneia + tosse seca + baqueteamento + hipoxemia + estertor velcro → Fibrose Pulmonar Idiopática.
O estertor em velcro é um achado clássico na ausculta de pacientes com fibrose pulmonar idiopática (FPI) e outras doenças pulmonares intersticiais. Ele reflete o descolamento de pequenas vias aéreas e alvéolos fibrosados, sendo um sinal importante para a suspeita diagnóstica.
A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença pulmonar intersticial crônica, progressiva e fatal de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente idosos. Sua prevalência e incidência aumentam com a idade, sendo mais comum em homens e tabagistas. A FPI é a forma mais comum de doença pulmonar intersticial e representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo na prática clínica. A fisiopatologia da FPI envolve um processo de cicatrização anormal e progressiva do parênquima pulmonar, levando à deposição excessiva de colágeno e distorção da arquitetura pulmonar. Clinicamente, os pacientes apresentam dispneia progressiva, tosse seca e, em estágios avançados, baqueteamento digital e cianose. Na ausculta pulmonar, o achado mais característico é o estertor crepitante fino e seco, conhecido como "estertor em velcro", predominantemente nas bases pulmonares. A hipoxemia é comum, especialmente aos esforços, e a espirometria revela um padrão restritivo. O diagnóstico da FPI é complexo e requer a exclusão de outras causas de doença pulmonar intersticial, além de uma combinação de achados clínicos, radiológicos (tomografia de alta resolução) e, por vezes, histopatológicos. O tratamento visa retardar a progressão da doença e aliviar os sintomas, utilizando antifibróticos como pirfenidona e nintedanibe. O prognóstico é reservado, com uma sobrevida média de 3 a 5 anos após o diagnóstico. A identificação precoce dos sinais e sintomas, como o estertor em velcro, é crucial para o encaminhamento e manejo adequado.
Os sinais clínicos incluem dispneia progressiva, tosse seca crônica, baqueteamento digital e hipoxemia, que podem ser acompanhados de estertores em velcro na ausculta pulmonar.
O estertor em velcro é um ruído crepitante fino e seco, que se assemelha ao som de velcro sendo aberto. Ele é característico da fibrose pulmonar devido ao descolamento abrupto de pequenas vias aéreas e alvéolos colabados e fibrosados.
Estertores crepitantes podem ser encontrados em outras condições como pneumonia, edema pulmonar, bronquiectasias e atelectasias, mas o padrão "em velcro" é mais específico para doenças intersticiais.
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