FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Um homem de 29 anos, passado de competições de crossfit, deixou de competir há 8 meses devido a lesão importante em músculos da coxa. Ele vem à consulta com a esposa alegando não conseguirem gerar filhos, apesar de relações sexuais frequentes 3x por semana e sem contracepção há 1 ano e seis meses. Suspeitando do uso de esteroides anabolizantes (EAS), qual alternativa está correta em relação ao uso de EAS?
Abuso de EAS → Policitemia (↑ hematócrito), infertilidade (↓ LH/FSH, atrofia testicular).
O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (EAS) pode causar uma série de efeitos adversos, incluindo policitemia (aumento do hematócrito), infertilidade por supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e atrofia testicular. A suspeita deve ser alta em atletas com histórico de lesões e infertilidade.
O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (EAS) é um problema de saúde pública crescente, especialmente entre atletas e indivíduos que buscam melhoria da performance física e estética. Embora os benefícios percebidos possam ser rápidos, os riscos à saúde são significativos e multissistêmicos, impactando diversos órgãos e sistemas. A identificação precoce do abuso é crucial para a intervenção e prevenção de complicações graves. A fisiopatologia dos efeitos adversos dos EAS é complexa. Eles atuam como agonistas dos receptores androgênicos, promovendo o anabolismo muscular, mas também exercem efeitos em outros tecidos. A policitemia, um aumento do hematócrito, é um efeito comum devido à estimulação da eritropoiese, aumentando o risco de eventos trombóticos. A infertilidade masculina é uma consequência direta da supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG), que leva à diminuição da produção endógena de testosterona, LH e FSH, resultando em atrofia testicular e comprometimento da espermatogênese. O manejo de pacientes com suspeita de abuso de EAS envolve a educação sobre os riscos, a interrupção do uso e o tratamento das complicações. A abordagem deve ser multidisciplinar, incluindo endocrinologistas, cardiologistas e psiquiatras, devido aos efeitos adversos em múltiplos sistemas e ao potencial de dependência. O prognóstico a longo prazo depende da duração e dose do uso, mas a mortalidade é comprovadamente aumentada em usuários crônicos.
Os EAS podem causar hipertensão arterial, dislipidemia (redução do HDL, aumento do LDL), cardiomiopatia hipertrófica, arritmias e aumento do risco de eventos trombóticos e infarto do miocárdio.
Os EAS suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando à diminuição da produção de LH e FSH, o que resulta em atrofia testicular, oligospermia ou azoospermia e infertilidade.
Sinais laboratoriais incluem aumento do hematócrito (policitemia), alterações lipídicas (HDL baixo, LDL alto), elevação de enzimas hepáticas, e supressão dos níveis de LH, FSH e testosterona endógena.
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