USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem, 19 anos de idade, com antecedente de queda da motocicleta há 70 dias com múltiplas fraturas de costelas à direita, contusão pulmonar, hemopneumotórax e trauma craniano grave. Tratado, na ocasião, com drenagem torácica à direita e ventilação mecânica por 17 dias. Recebeu alta hospitalar após 28 dias de internação em bom estado geral. Retorna ao serviço de emergência com queixa de dispneia de instalação progressiva associada a cornagem. Ao exame clínico, saturação de 94% frequência respiratória de 24 ipm, tiragem de fúrcula. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento imediato?
Dispneia progressiva e cornagem após intubação prolongada → Estenose de Traqueia. Manejo inicial: corticoide EV, adrenalina inalatória, VNI.
A estenose de traqueia é uma complicação tardia comum da intubação orotraqueal prolongada ou trauma traqueal, manifestando-se com dispneia progressiva e estridor (cornagem). O tratamento imediato visa reduzir o edema e melhorar o fluxo aéreo, enquanto se planeja a abordagem definitiva.
A estenose de traqueia é uma complicação potencialmente grave, frequentemente associada à intubação orotraqueal prolongada ou a traumas diretos na via aérea. Sua incidência varia, mas é uma preocupação em pacientes que necessitaram de ventilação mecânica por longos períodos, como o caso descrito de trauma grave. A importância clínica reside na sua apresentação insidiosa e progressiva, que pode levar a uma obstrução crítica da via aérea se não reconhecida e tratada. A fisiopatologia envolve lesão da mucosa traqueal, isquemia causada pela pressão do cuff do tubo, inflamação e subsequente formação de tecido de granulação e fibrose, resultando no estreitamento do lúmen traqueal. Clinicamente, manifesta-se por dispneia progressiva, tosse e, caracteristicamente, cornagem (estridor inspiratório), que indica obstrução de via aérea superior. A tiragem de fúrcula é um sinal de esforço respiratório significativo. O tratamento da estenose de traqueia depende da gravidade e da localização. Em casos de obstrução aguda e grave, o manejo imediato visa estabilizar a via aérea. Isso pode incluir a administração de corticosteroides para reduzir o edema, inalação com adrenalina para vasoconstrição e, em alguns casos, ventilação não-invasiva. A intubação orotraqueal deve ser cautelosa para não agravar a lesão. O tratamento definitivo pode envolver dilatação endoscópica, colocação de stent ou ressecção cirúrgica do segmento estenótico.
Os fatores de risco incluem intubação prolongada, trauma durante a intubação, pressão excessiva do cuff do tubo orotraqueal, infecções traqueais e refluxo gastroesofágico. O trauma torácico grave também pode contribuir.
A estenose de traqueia geralmente se manifesta com dispneia progressiva, estridor inspiratório (cornagem), tosse e, em casos graves, tiragem de fúrcula e desconforto respiratório. Os sintomas podem ser intermitentes no início e piorar com o tempo.
O tratamento imediato visa aliviar a obstrução e pode incluir a administração de corticosteroides endovenosos para reduzir o edema, inalação com adrenalina para vasoconstrição local e, se possível, ventilação não-invasiva para suporte respiratório enquanto se prepara para uma intervenção definitiva.
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