Estenose Traqueal Pós-Intubação: Diagnóstico e Manejo

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, de 50 anos, sem comorbidades, foi internado por politrauma em decorrência de queda de motocicleta. Não houve necessidade de intervenções cirúrgicas, exceto drenagem de pneumotórax à direita (o dreno foi retirado após 7 dias do acidente). A intubação orotraqueal, com tubo 7, foi realizada na cena do acidente; e a extubação, após 12 dias, sem realização de traqueostomia. A alta hospitalar ocorreu 20 dias após a internação. Transcorrido 1 mês da alta, passou a apresentar dispneia, de caráter progressivo ao longo das semanas seguintes, acompanhada de tosse seca. Veio agora à Emergência após iniciar com estridor e esforço ventilatório. Diante da principal hipótese diagnóstica, que conduta, dentre as abaixo, é mais adequada no momento?

Alternativas

  1. A) Uso de broncodilatadores inalatórios e glicocorticoide intravenoso
  2. B) Broncoscopia para dilatação traqueal
  3. C) Cricotireoidostomia sob anestesia local
  4. D) Cirurgia de traqueoplastia

Pérola Clínica

Estenose traqueal pós-IOT prolongada → dispneia progressiva + estridor = broncoscopia para dilatação.

Resumo-Chave

Pacientes com histórico de intubação orotraqueal prolongada que desenvolvem dispneia progressiva e estridor devem ser investigados para estenose traqueal. A broncoscopia é essencial tanto para diagnóstico quanto para tratamento inicial, como a dilatação.

Contexto Educacional

A estenose traqueal pós-intubação é uma complicação grave, mas relativamente rara, da intubação orotraqueal prolongada, com incidência variando de 1% a 10%. É crucial para residentes reconhecerem essa condição, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a desfechos respiratórios desfavoráveis. A condição geralmente se manifesta semanas a meses após a extubação, com sintomas progressivos. A fisiopatologia envolve lesão isquêmica da mucosa traqueal causada pela pressão do cuff do tubo ou trauma durante a intubação, levando à formação de tecido de granulação e fibrose. O diagnóstico é suspeitado pela tríade de dispneia progressiva, tosse seca e estridor, especialmente em pacientes com histórico de IOT. A broncoscopia é o método diagnóstico padrão-ouro, permitindo a visualização direta da estenose e avaliação de sua extensão. O tratamento depende da gravidade e extensão da estenose. Em casos agudos com estridor e esforço ventilatório, a broncoscopia para dilatação traqueal é a conduta mais adequada para restaurar a perviedade da via aérea. Outras opções incluem ressecção traqueal e anastomose (traqueoplastia) para estenoses mais complexas ou recorrentes, ou colocação de stent traqueal em casos selecionados.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sintomas da estenose traqueal pós-intubação?

Dispneia progressiva, tosse seca e estridor são os sintomas mais comuns, especialmente após um período de intubação orotraqueal prolongada. A gravidade dos sintomas pode variar com o grau da estenose.

Qual a conduta inicial para estenose traqueal com estridor?

A conduta inicial para estenose traqueal com estridor e esforço ventilatório é a broncoscopia, que permite tanto o diagnóstico da localização e extensão da estenose quanto a dilatação traqueal para alívio imediato da obstrução.

Quais são as causas mais comuns de estenose traqueal?

A causa mais comum é a lesão isquêmica da mucosa traqueal devido à pressão excessiva do cuff do tubo orotraqueal, trauma durante a intubação ou movimentação do tubo, levando à formação de tecido de granulação e fibrose.

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