UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 56a, procura Pronto-Socorro com queixa de dispneia progressiva há um mês. Refere atendimentos médicos, pelo mesmo motivo, com melhora parcial após uso de inalações. Antecedente pessoal: infecção por covid, com internação em Unidade de Terapia Intensiva e ventilação mecânica por 14 dias. Exame físico: FR=26irpm, sinais de cornagem. Realizada inalação com simpatomimético, sem melhora efetiva do desconforto. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
Dispneia progressiva + Cornagem + VM prolongada prévia (pós-COVID) → Estenose traqueal/laríngea pós-intubação.
A cornagem é um sinal clássico de obstrução de via aérea superior, frequentemente na laringe ou traqueia. Em pacientes com histórico de ventilação mecânica prolongada, como após COVID-19 grave, a estenose traqueal ou laríngea pós-intubação é uma complicação bem conhecida e a principal hipótese diagnóstica para dispneia progressiva e cornagem que não melhora com broncodilatadores.
A dispneia é uma queixa comum em pacientes que se recuperam de COVID-19 grave, especialmente aqueles que necessitaram de ventilação mecânica prolongada. Embora muitas causas de dispneia pós-COVID estejam relacionadas a danos pulmonares parenquimatosos ou vasculares, a presença de cornagem direciona a investigação para uma obstrução de via aérea superior, uma complicação potencialmente grave e tratável. A cornagem é um sinal clínico crucial que indica um estreitamento significativo da laringe ou traqueia. Em pacientes com histórico de intubação orotraqueal prolongada, a estenose traqueal pós-intubação é uma das causas mais frequentes. O trauma mecânico do tubo endotraqueal, a pressão excessiva do cuff, infecções secundárias e a resposta inflamatória individual contribuem para a formação de tecido de granulação e fibrose, resultando em um estreitamento progressivo da via aérea. A COVID-19, por si só, pode aumentar o risco devido à necessidade de intubações mais longas e à inflamação sistêmica. O diagnóstico de estenose traqueal é confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada de tórax com reconstrução de via aérea e, principalmente, por broncoscopia, que permite visualizar diretamente a estenose, avaliar sua extensão e gravidade. O tratamento varia desde dilatações endoscópicas e colocação de stents até ressecção cirúrgica do segmento estenótico, dependendo das características da lesão. A falha na melhora com broncodilatadores é um forte indicativo de que a obstrução não é brônquica e reforça a hipótese de estenose de via aérea superior, exigindo uma abordagem diagnóstica e terapêutica específica.
A cornagem é um ruído respiratório inspiratório de alta frequência, semelhante a um estridor, que indica obstrução significativa das vias aéreas superiores, como laringe ou traqueia. É um sinal de alerta para comprometimento da patência da via aérea e requer investigação imediata.
A ventilação mecânica prolongada, especialmente com tubos endotraqueais de diâmetro inadequado ou cuff insuflado excessivamente, pode causar trauma e isquemia na mucosa traqueal. Isso leva à formação de tecido de granulação e, posteriormente, fibrose e estenose, resultando em estreitamento da luz traqueal e sintomas obstrutivos.
Pacientes com COVID-19 grave frequentemente necessitam de intubação orotraqueal e ventilação mecânica por períodos prolongados. Além disso, a inflamação sistêmica e a coagulopatia associadas à COVID-19 podem exacerbar o dano traqueal, aumentando o risco de estenose pós-intubação em comparação com outras causas de VM prolongada.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo