UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021
J.H.S., 52 anos, queixando-se de dispneia progressiva, nega febre ou outras queixas associadas. Relata internação prévia recente por 60 dias, permanecendo em intubação orotraqueal por 45 dias. Durante exame físico, verifica-se esforço respiratório e estridor inspiratório. Avaliado raio X de tórax; sem alterações em parênquima pulmonar. Qual o diagnóstico e a causa da lesão do paciente?
IOT prolongada + estridor inspiratório + dispneia progressiva = suspeitar estenose traqueal.
A intubação orotraqueal prolongada, especialmente com balonetes de alta pressão, é a principal causa de estenose traqueal. A isquemia da mucosa traqueal leva à cicatrização e estreitamento, manifestando-se com dispneia e estridor.
A estenose traqueal pós-intubação é uma complicação grave, porém evitável, da intubação orotraqueal prolongada. Caracteriza-se pelo estreitamento da luz traqueal devido à formação de tecido cicatricial, geralmente na altura do balonete ou do cuff do tubo. A incidência varia, mas é uma causa importante de morbidade respiratória em pacientes que necessitam de ventilação mecânica prolongada. A fisiopatologia envolve a pressão excessiva exercida pelo balonete do tubo orotraqueal na parede da traqueia, que compromete o fluxo sanguíneo capilar da mucosa, levando à isquemia, necrose e subsequente inflamação e fibrose. Outros fatores como trauma na intubação, infecções e refluxo gastroesofágico podem contribuir. Os sintomas, como dispneia progressiva e estridor inspiratório, podem surgir semanas a meses após a extubação, quando o estreitamento atinge um grau crítico. O raio-X de tórax pode ser normal, sendo a broncoscopia o método diagnóstico padrão-ouro. O tratamento da estenose traqueal depende da sua extensão e gravidade, podendo variar desde dilatações endoscópicas e ressecção a laser até a ressecção cirúrgica do segmento estenótico com anastomose traqueal. A prevenção é crucial, com o uso de balonetes de baixa pressão e alto volume, monitoramento regular da pressão do balonete e extubação precoce quando clinicamente possível.
Os principais fatores de risco incluem intubação orotraqueal prolongada, uso de balonetes de alta pressão, tubos de diâmetro inadequado, trauma durante a intubação e infecções associadas.
A estenose traqueal manifesta-se com dispneia progressiva, estridor inspiratório, tosse e, em casos graves, insuficiência respiratória, geralmente semanas a meses após a extubação.
Balonetes de alta pressão ou com insuflação excessiva causam isquemia e necrose da mucosa traqueal, levando à formação de tecido de granulação e posterior fibrose e estenose.
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