SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Leia o caso a seguir: Y.B.J, 23 anos, dá entrada no pronto atendimento com queixa de dispneia, tosse produtiva, com sensação de pigarro e estridor laríngeo. Histórico prévio de acidente automobilístico com necessidade de intubação orotraqueal prolongada e traqueostomia. Ao exame estável, FC: 91bpm, PA: 120x70 mmHg, FR: 16 irpm, SO2: 98% em ar ambiente. Qual a conduta adequada para o caso em questão?
Estridor + Antecedente de IOT prolongada = Estenose Traqueal até que se prove o contrário.
O diagnóstico e planejamento terapêutico da estenose traqueal exigem a combinação de exames de imagem (TC) para avaliar a extensão extrínseca e endoscopia para visualização da mucosa e dinâmica da via aérea.
A estenose traqueal pós-intubação é uma complicação grave que se manifesta frequentemente semanas ou meses após a alta da UTI. O sintoma cardeal é a dispneia progressiva, muitas vezes confundida com asma ou DPOC, evoluindo para estridor laríngeo quando a luz traqueal está reduzida a menos de 5mm. No caso clínico apresentado, a estabilidade hemodinâmica e respiratória do paciente permite uma investigação eletiva e criteriosa. A realização de TC e broncoscopia flexível é o padrão-ouro para o estadiamento. A intervenção cirúrgica de emergência só é reservada para casos de insuficiência respiratória aguda não responsiva a medidas conservadoras, onde a broncoscopia rígida pode ser usada tanto para diagnóstico quanto para dilatação terapêutica imediata.
A Tomografia Computadorizada (TC) de pescoço e tórax, preferencialmente com reconstrução 3D, permite avaliar o comprimento da estenose, o diâmetro da luz traqueal e a relação com estruturas adjacentes (como vasos e esôfago). Já a broncoscopia flexível permite a visualização direta da mucosa, avalia a presença de inflamação ativa, granulomas e, crucialmente, a dinâmica da via aérea (colapso) e a localização exata em relação às cordas vocais.
A lesão ocorre geralmente devido à pressão excessiva do balonete (cuff) da sonda orotraqueal contra a mucosa traqueal. Se a pressão do cuff exceder a pressão de perfusão capilar da mucosa (aprox. 30 mmHg), ocorre isquemia, seguida de ulceração, condrite e, finalmente, cicatrização fibrótica estenosante. O uso de cuffs de alto volume e baixa pressão reduziu a incidência, mas a intubação prolongada continua sendo o principal fator de risco.
A ressecção segmentar com anastomose término-terminal é o tratamento definitivo para estenoses traqueais benignas sintomáticas. É indicada quando a estenose é madura (sem inflamação aguda), tem extensão limitada (geralmente até 4-5 cm ou 50% da traqueia em adultos) e o paciente apresenta boas condições clínicas para o procedimento. O planejamento depende inteiramente dos achados da TC e da broncoscopia.
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