Estenose Subglótica Pós-Intubação: Diagnóstico com Broncoscopia

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 55 anos de idade, é atendida na sala de emergência com quadro de dispneia e cornagem. Após instalação de cateter de oxigênio a 5 litros por minuto a paciente apresenta melhora, porém permanece com o quadro de respiração ruidosa. Durante investigação verifica-se que a paciente esteve internada em UTI há um mês, necessitou de ventilação mecânica e foi submetida a intubação orotraqueal. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Intubação orotraqueal.
  2. B) Broncoscopia.
  3. C) Traqueostomia.
  4. D) Cricotiroideostomia.

Pérola Clínica

Dispneia + cornagem pós-IOT/VM → suspeitar estenose de via aérea → Broncoscopia para diagnóstico e planejamento.

Resumo-Chave

Pacientes com história de intubação orotraqueal prolongada ou ventilação mecânica que desenvolvem dispneia e cornagem após a extubação devem ter estenose subglótica ou traqueal como principal suspeita. A broncoscopia é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da lesão e guiar o tratamento.

Contexto Educacional

A dispneia e a cornagem em um paciente com histórico recente de intubação orotraqueal (IOT) e ventilação mecânica (VM) são sinais altamente sugestivos de obstrução de via aérea superior, sendo a estenose subglótica ou traqueal uma das causas mais comuns. A IOT prolongada pode levar a trauma na mucosa traqueal, isquemia e formação de tecido de granulação, que posteriormente se fibrosa, resultando em estenose. Diante desse quadro clínico, a broncoscopia é a melhor conduta diagnóstica. Este procedimento permite a visualização direta da laringe, traqueia e brônquios, possibilitando a identificação precisa da localização, extensão e grau da estenose. Com essas informações, é possível planejar a estratégia terapêutica mais adequada, que pode variar desde dilatações endoscópicas até procedimentos cirúrgicos mais complexos, como a ressecção traqueal. Outras opções como a re-intubação orotraqueal podem ser perigosas e agravar a lesão, enquanto a traqueostomia, embora possa ser uma solução definitiva, é um procedimento invasivo que deve ser considerado após a avaliação completa da estenose. A cricotiroidostomia é uma via aérea de emergência para obstruções agudas e completas, não sendo a abordagem inicial para uma estenose subglótica que permite alguma passagem de ar. O reconhecimento precoce e a investigação adequada são cruciais para um desfecho favorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de estenose subglótica ou traqueal pós-intubação?

Fatores de risco incluem intubação prolongada, trauma durante a intubação, uso de tubos orotraqueais de tamanho inadequado, pressão excessiva do cuff, infecções secundárias e refluxo gastroesofágico.

Como a broncoscopia auxilia no diagnóstico e manejo da estenose de via aérea?

A broncoscopia permite a visualização direta da via aérea, identificando a localização, extensão, grau de estenose e características da lesão. É fundamental para diferenciar estenose de outras causas de obstrução e para planejar a melhor abordagem terapêutica, seja dilatação, ressecção ou traqueostomia.

Quais são as opções de tratamento para estenose subglótica ou traqueal?

As opções de tratamento variam conforme a gravidade e extensão da estenose. Podem incluir dilatação endoscópica com balão, ressecção endoscópica a laser, ressecção traqueal e anastomose primária, ou, em casos graves e complexos, traqueostomia.

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