UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente com 6 semanas de vida foi trazido à UBS por vômitos não biliosos, gradualmente crescentes, que progrediam para vômitos em jato, logo após ou durante a alimentação. A criança continuava com fome e não apresentava dor ou distensão abdominais. Ao exame, encontrava-se hidratada e em bom estado geral. Constatouse pequena nodulação de cerca de 1 cm de diâmetro, palpável no quadrante superior direito do abdômen. Por vezes, era possível visualizar uma onda peristáltica que se movia do quadrante superior esquerdo para o direito. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Estenose pilórica: lactente <3m, vômitos em jato não biliosos, oliva pilórica, onda peristáltica visível.
A estenose pilórica hipertrófica é uma causa comum de vômitos em lactentes, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida. Os vômitos são progressivos, não biliosos e em jato, com a criança mantendo-se faminta. O achado clássico é a "oliva pilórica" palpável e ondas peristálticas visíveis.
A estenose pilórica hipertrófica infantil é uma condição comum em lactentes, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Afeta principalmente meninos primogênitos, com incidência de 1 a 3 por 1000 nascidos vivos, e é uma das causas mais frequentes de cirurgia abdominal em bebês. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para evitar desidratação e distúrbios eletrolíticos graves. A fisiopatologia envolve a hipertrofia e hiperplasia das camadas musculares do piloro, resultando em um canal pilórico estreito e alongado. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos vômitos em jato não biliosos, progressivos, que ocorrem após as mamadas, e na presença de uma massa palpável (oliva pilórica) no quadrante superior direito do abdome. Ondas peristálticas gástricas visíveis também são um achado característico. A ultrassonografia abdominal é o exame confirmatório. O tratamento da estenose pilórica é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que é um procedimento seguro e eficaz. Antes da cirurgia, é crucial corrigir a desidratação e os distúrbios hidroeletrolíticos, especialmente a alcalose metabólica hipoclorêmica. O prognóstico pós-cirúrgico é excelente, com resolução completa dos sintomas.
Os sinais clássicos incluem vômitos não biliosos em jato, que se tornam progressivos, fome persistente após o vômito, e a presença de uma massa palpável no epigástrio (oliva pilórica) ou ondas peristálticas visíveis.
O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento e alongamento do piloro. A avaliação laboratorial pode revelar alcalose metabólica hipoclorêmica.
O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro, preservando a mucosa.
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