UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
Paciente feminina, 34 anos, moradora em zona rural, procura atendimento médico por estar "sentindo cansaço severo" que a impede de trabalhar "como antes", sentindo "palpitações" nos últimos seis meses. Tonsilites estreptocócicas de repetição. Exame físico: pressão arterial de 110 x 60 mmHg; frequência cardíaca de 118 batimentos por minuto; sopro diastólico em foco mitral, rude (++/4+); estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares, discreta dor à palpação profunda em hipocôndrio direito; edema perimaleolar bilateralmente (+/4+). Submetida a eletrocardiograma em seis derivações (abaixo). Considerando a história clínica e o eletrocardiograma, qual o diagnóstico semiológico completo atual?
História de tonsilites + sopro diastólico mitral + congestão = Estenose Mitral Reumática.
A estenose mitral reumática causa aumento da pressão atrial esquerda, levando à congestão pulmonar, fibrilação atrial e eventual falência ventricular direita.
A estenose mitral é uma valvopatia caracterizada pela obstrução ao fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo durante a diástole. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão atrial esquerda, que é transmitida retrogradamente para a circulação pulmonar, causando dispneia e edema pulmonar. Com o tempo, a hipertensão pulmonar resultante leva à sobrecarga do ventrículo direito e insuficiência cardíaca direita. O diagnóstico clínico baseia-se na ausculta característica e na história de febre reumática. O eletrocardiograma pode mostrar sinais de sobrecarga atrial esquerda e fibrilação atrial. O ecocardiograma é o padrão-ouro para confirmar a gravidade da estenose, avaliar a área valvar e a anatomia do aparelho subvalvar, orientando a decisão entre tratamento medicamentoso, valvuloplastia por balão ou cirurgia.
A febre reumática é a principal etiologia da estenose mitral em países em desenvolvimento. A agressão valvar ocorre anos após o surto agudo de faringoamigdalite estreptocócica, resultando em fusão comissural, espessamento e calcificação dos folhetos, o que obstrui o fluxo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo.
O aumento crônico da pressão e do volume no átrio esquerdo provoca remodelamento e dilatação atrial. Esse estiramento das fibras miocárdicas atriais predispõe ao surgimento de arritmias supraventriculares, sendo a fibrilação atrial a mais comum, manifestando-se clinicamente como palpitações e cansaço.
Os achados clássicos incluem a primeira bulha (B1) hiperfonética, estalido de abertura mitral e um sopro diastólico em ruflar no foco mitral. Sinais de congestão pulmonar (estertores) e edema periférico indicam evolução para insuficiência cardíaca biventricular.
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