INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma paciente com 19 anos de idade, primípara, na 24ª semana de gestação, vem à consulta pré-natal com queixa de dispneia progressiva há duas semanas, inicialmente aos grandes esforços e, atualmente, aos médios esforços. Ao exame físico, apresenta altura uterina compatível com a idade gestacional, edema de membros inferiores ++/4+, estertores crepitantes em bases pulmonares. Frequência respiratória = 24 irpm, frequência cardíaca = 106 bpm, ausculta com ritmo cardíaco regular e sopro diastólico (++/4) mais audível no ápice, acompanhado de hiperfonese de B1. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a hipótese diagnóstica e a etiologia:
Sopro diastólico apical + Hiperfonese de B1 em gestante → Estenose Mitral (provável Reumática).
A estenose mitral é a valvopatia mais sintomática na gravidez devido ao aumento da frequência cardíaca e do débito, que reduzem o tempo de enchimento diastólico.
A estenose mitral é a lesão valvar mais comum encontrada em gestantes com cardiopatia prévia. O manejo clínico foca no controle da frequência cardíaca (frequentemente com betabloqueadores) e na restrição de sódio/uso de diuréticos se houver congestão. A identificação precoce no pré-natal é crucial para estratificação de risco materno-fetal, pois a descompensação costuma ocorrer entre a 20ª e 30ª semana, quando o volume circulante atinge seu pico. O diagnóstico diferencial com sopros funcionais é feito pela cronologia: sopros diastólicos são sempre patológicos.
Durante a gestação, ocorrem aumentos significativos no volume plasmático, no débito cardíaco e na frequência cardíaca. Na estenose mitral, a obstrução ao fluxo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo é fixa. O aumento da frequência cardíaca encurta o tempo de diástole, dificultando ainda mais o esvaziamento atrial. Isso eleva a pressão no átrio esquerdo e, consequentemente, a pressão capilar pulmonar, levando a sintomas de congestão como dispneia progressiva, ortopneia e edema pulmonar, especialmente a partir do segundo trimestre.
Os achados semiológicos cardinais incluem a hiperfonese da primeira bulha (B1), decorrente do fechamento abrupto das cúspides espessadas, e o estalido de abertura mitral. O sopro característico é um ruído diastólico de baixa frequência (ruflar), melhor auscultado no ápice cardíaco com a campânula do estetoscópio, frequentemente com reforço pré-sistólico em pacientes em ritmo sinusal. A presença de hiperfonese de B2 pode indicar hipertensão pulmonar secundária.
A febre reumática continua sendo a principal causa de valvopatias adquiridas em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. A agressão imunológica crônica ao aparelho valvar resulta em fusão das comissuras, espessamento dos folhetos e encurtamento das cordoalhas tendíneas. Embora a incidência da fase aguda tenha diminuído, as sequelas crônicas manifestam-se frequentemente em mulheres jovens durante o desafio hemodinâmico da primeira gestação.
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