FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente de 52 anos de idade foi encaminhado ao ambulatório de cardiologia para avaliação de suposta doença mitral reumática. Tem histórico pregresso compatível com múltiplas amigdalites não tratadas quando adolescente. Queixa-se de dispneia NYHA II e palpitações de início recente, a despeito de tratamento clínico adequado. Ao exame clínico, apresenta ictus de ventrículo esquerdo tópico, primeira bulha hipofonética, sopro em ruflar diastólico de baixa frequência, mais bem auscultado no ápice cardíaco. Ausência de reforço pré-sistólico. Trouxe exames recentes: eletrocardiograma com ritmo irregular e ausência de ondas P, com frequência cardíaca em torno de 88 bpm. Parâmetros mais relevantes ao ecocardiograma: área valvar de 1,3 cm², PSAP de 61 mmHg, FEVE preservada, sem trombos intracavitários. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA em relação ao diagnóstico e a conduta para esse paciente.
Estenose mitral grave + FA + sem trombo → Valvoplastia por balão se anatomia favorável.
A estenose mitral grave é caracterizada por área valvar < 1.5 cm², e a presença de fibrilação atrial e hipertensão pulmonar são complicações comuns. Em pacientes sem trombo e com anatomia favorável, a valvoplastia mitral por cateter balão é a primeira escolha de tratamento intervencionista.
A estenose mitral reumática é uma sequela tardia da febre reumática aguda, caracterizada pelo estreitamento da valva mitral, que impede o fluxo sanguíneo adequado do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. É uma condição progressiva que leva ao aumento da pressão atrial esquerda, hipertensão pulmonar e, eventualmente, insuficiência cardíaca. O diagnóstico é suspeitado pela história de febre reumática e achados clínicos como dispneia, palpitações, e sopro diastólico em ruflar, sendo confirmado e graduado pelo ecocardiograma. A gravidade da estenose mitral é definida pela área valvar, sendo considerada grave quando < 1.5 cm². Complicações comuns incluem fibrilação atrial, que aumenta o risco de eventos tromboembólicos, e hipertensão pulmonar, que pode levar à disfunção ventricular direita. O ecocardiograma é fundamental para avaliar a gravidade, a morfologia valvar (escore de Wilkins) e a presença de trombos ou regurgitação associada, que são cruciais para a decisão terapêutica. O tratamento da estenose mitral grave sintomática pode ser intervencionista. A valvoplastia mitral por cateter balão é a primeira linha de tratamento para pacientes com anatomia valvar favorável (escore de Wilkins ≤ 8), ausência de trombos intracavitários e regurgitação mitral significativa. Em casos de anatomia desfavorável, trombos ou falha da valvoplastia, a cirurgia (comissurotomia aberta ou troca valvar) torna-se a opção. A anticoagulação é essencial para pacientes com fibrilação atrial ou histórico de eventos tromboembólicos.
Clinicamente, pode haver dispneia, palpitações e sopro diastólico em ruflar. Ecocardiograficamente, a área valvar é < 1.5 cm², com possível hipertensão pulmonar e dilatação atrial esquerda.
É indicada para pacientes com estenose mitral grave sintomática, sem trombos intracavitários, sem regurgitação mitral significativa e com anatomia valvar favorável (escore de Wilkins baixo).
A fibrilação atrial é uma complicação comum da estenose mitral, aumentando o risco de tromboembolismo. Sua presença exige anticoagulação e pode influenciar a decisão terapêutica, mas não contraindica a valvoplastia se não houver trombo.
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