UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Paciente de 25 anos, com estenose mitral devido a febre reumática, dá entrada na emergência com 32 semanas de gestação, queixando-se de dispneia e ortopneia. O exame físico mostra PA = 100 x 60mmHg, FC = 100bpm, FR = 26irpm, afebril; ACV = RCR 2T, sinusal, sopro diastólico 3+/6+. AR = MVUA com estertores bolhosos bibasais. Apresenta abdômen gravídico com AFU = 32cm, sem metrossístoles e BCF = 132bpm. Nesse quadro clínico, a principal modificação do organismo materno responsável pela complicação descrita é:
Estenose mitral + gravidez → ↑ débito cardíaco + ↑ volume = descompensação cardíaca.
Na gravidez, o aumento fisiológico do débito cardíaco e do volume sanguíneo pode descompensar valvopatias preexistentes, como a estenose mitral. A estenose mitral impede o fluxo adequado, e o aumento da demanda cardíaca leva à congestão pulmonar e insuficiência cardíaca.
A estenose mitral é a valvopatia mais comum na gravidez, frequentemente decorrente de febre reumática prévia. Sua importância clínica reside no risco de descompensação cardíaca materna e fetal, sendo uma das principais causas de mortalidade materna de origem cardíaca. A gestação impõe uma sobrecarga hemodinâmica significativa ao sistema cardiovascular, que pode ser mal tolerada por corações com valvopatias. Fisiologicamente, a gravidez cursa com um aumento progressivo do volume sanguíneo (até 50%), do débito cardíaco (30-50%) e da frequência cardíaca. Em pacientes com estenose mitral, a área valvar reduzida impede o fluxo adequado do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. O aumento do volume e da frequência cardíaca durante a gestação eleva a pressão atrial esquerda e a pressão capilar pulmonar, precipitando congestão pulmonar e insuficiência cardíaca. O tratamento visa otimizar a função cardíaca, controlar a congestão e a frequência cardíaca. Diuréticos e betabloqueadores são frequentemente utilizados. Em casos refratários, pode ser necessária intervenção percutânea (valvotomia mitral por balão). O prognóstico materno e fetal depende da gravidade da estenose e do manejo adequado, sendo crucial o acompanhamento multidisciplinar.
Os sinais incluem dispneia progressiva, ortopneia, tosse, edema pulmonar (estertores bolhosos), fadiga e, em casos graves, cianose e síncope.
A gravidez causa um aumento significativo do volume sanguíneo e do débito cardíaco, além de taquicardia fisiológica. Em pacientes com estenose mitral, a valva já está estreitada, e o aumento do fluxo e da frequência cardíaca dificulta ainda mais o esvaziamento atrial, levando à congestão.
A conduta inicial envolve repouso, restrição de sódio, diuréticos (se houver congestão pulmonar), betabloqueadores para controle da frequência cardíaca e, em casos graves, internação e monitorização intensiva.
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