SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Na avaliação de pacientes com valvopatias, o exame físico permanece uma ferramenta essencial para suspeitar do tipo e da gravidade da lesão valvar. Em relação aos achados semiológicos na estenose mitral moderada a grave, qual dos seguintes é mais característico?
B1 hiperfonética + Estalido de abertura + Ruflar diastólico = Estenose Mitral.
A estenose mitral moderada a grave apresenta achados semiológicos típicos resultantes da dificuldade de esvaziamento atrial esquerdo e do gradiente de pressão transvalvar diastólico.
A estenose mitral é, na grande maioria dos casos, uma sequela da febre reumática. A fisiopatologia baseia-se na obstrução ao fluxo de sangue do átrio esquerdo (AE) para o ventrículo esquerdo (VE), gerando aumento da pressão atrial, congestão pulmonar e, eventualmente, hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita. Ao exame físico, a B1 costuma ser hiperfonética (pelo fechamento abrupto das válvulas ainda móveis). O ruflar diastólico é melhor auscultado no foco mitral (ápice) com a campânula do estetoscópio, preferencialmente em decúbito lateral esquerdo (posição de Pachon). A tríade clássica — estalido de abertura, ruflar diastólico e reforço pré-sistólico — é o marcador semiológico definitivo da doença. A identificação desses sons permite não apenas o diagnóstico, mas também uma estimativa da gravidade da lesão valvar antes mesmo da realização do ecocardiograma.
O estalido de abertura ocorre logo após a segunda bulha (B2), no início da diástole. Ele é gerado pela abertura súbita e abrupta das cúspides mitrais espessadas e fundidas (comissurotomia incompleta), que são 'projetadas' em direção ao ventrículo esquerdo pela alta pressão do átrio esquerdo. Quanto mais grave a estenose, maior a pressão atrial e mais precocemente a valva se abre, encurtando o intervalo B2-estalido.
O reforço pré-sistólico é uma acentuação do sopro diastólico que ocorre no final da diástole, coincidindo com a sístole atrial ('chute atrial'). A contração do átrio esquerdo aumenta o fluxo através da valva estenosada, elevando a turbulência e o som. Importante notar que esse achado desaparece se o paciente desenvolver fibrilação atrial, pois não haverá mais contração atrial efetiva.
Os principais sinais de gravidade incluem: 1) Intervalo B2-estalido de abertura curto (indica pressão atrial esquerda muito elevada); 2) Duração prolongada do ruflar diastólico (o sopro ocupa toda a diástole); 3) Presença de sinais de hipertensão pulmonar, como B2 hiperfonética em foco pulmonar e sopro de Graham-Steell (insuficiência pulmonar funcional).
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