USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher, 36 anos, apresenta dispneia aos moderados esforços há 4 meses com palpitações taquicárdicas há 2 meses. Refere reumatismo na infância, sem outras comorbidades. Não faz uso de medicações contínuas. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual figura representa a ausculta cardíaca esperada para esta paciente?
História de reumatismo na infância + dispneia/palpitações em < 40 anos → Estenose Mitral = sopro diastólico + estalido de abertura.
A estenose mitral é uma valvopatia frequentemente associada à febre reumática na infância, manifestando-se anos depois com sintomas como dispneia e palpitações. A ausculta característica inclui um sopro diastólico com estalido de abertura e, em ritmo sinusal, um reforço pré-sistólico.
A estenose mitral é uma valvopatia caracterizada pelo estreitamento da válvula mitral, que impede o fluxo sanguíneo adequado do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Em países em desenvolvimento, a principal etiologia é a febre reumática, uma sequela tardia de infecção por Streptococcus pyogenes. A doença se manifesta clinicamente anos ou décadas após o episódio agudo de febre reumática, geralmente na terceira ou quarta década de vida, com sintomas progressivos. O diagnóstico da estenose mitral é fortemente sugerido pela história clínica de febre reumática na infância e pelos sintomas de dispneia aos esforços, palpitações (frequentemente por fibrilação atrial) e fadiga. O exame físico, especialmente a ausculta cardíaca, é crucial. Os achados clássicos incluem um primeiro som (B1) hiperfonético, um estalido de abertura (EA) após o segundo som (B2), e um sopro diastólico de baixa frequência (ruflar diastólico) audível na ponta, que pode ser acompanhado de um reforço pré-sistólico em ritmo sinusal. O tratamento da estenose mitral varia de medidas conservadoras para casos leves a intervenções como valvoplastia por balão ou troca valvar cirúrgica para casos mais graves. O reconhecimento precoce dos sintomas e dos achados da ausculta é fundamental para o manejo adequado e para prevenir complicações como insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e eventos tromboembólicos. A profilaxia secundária da febre reumática é essencial para prevenir a progressão da doença valvar.
Os principais sintomas incluem dispneia (especialmente aos esforços), palpitações (muitas vezes por fibrilação atrial), fadiga, tosse e, em casos avançados, hemoptise e sinais de insuficiência cardíaca direita devido à hipertensão pulmonar.
A febre reumática é a principal causa de estenose mitral em países em desenvolvimento. A inflamação crônica das válvulas cardíacas após episódios repetidos de febre reumática leva ao espessamento e fusão das comissuras valvares, resultando em estenose progressiva.
Os achados clássicos incluem um sopro diastólico de baixa frequência (ruflar diastólico) audível na ponta, um estalido de abertura (click de abertura) após o segundo som (B2) e, em ritmo sinusal, um reforço pré-sistólico.
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