SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente, 52 anos, sexo masculino, previamente hígido, assintomático, comparece à consulta de rotina no ambulatório. Ao exame físico, chamam atenção sopro em ruflar diastólico 3+/6+ no foco mitral e ritmo cardíaco irregular com frequência cardíaca em torno de 84 batimentos por minuto. Realizado eletrocardiograma (figura abaixo) e ecocardiograma transtorácico que evidenciou estenose mitral moderada. Qual conduta deve ser tomada nesse momento?
Estenose mitral (moderada/grave) + Fibrilação Atrial = Anticoagulação com Varfarina (NOACs contraindicados).
A presença de estenose mitral moderada associada a ritmo cardíaco irregular (sugestivo de fibrilação atrial) indica a necessidade de anticoagulação oral para prevenir eventos tromboembólicos. A varfarina é a escolha padrão para a fibrilação atrial valvular, pois os NOACs são contraindicados neste cenário.
A estenose mitral é uma valvopatia cardíaca caracterizada pelo estreitamento da válvula mitral, que impede o fluxo sanguíneo adequado do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Frequentemente, é uma sequela de febre reumática. A fibrilação atrial é uma arritmia comum que pode complicar a estenose mitral, aumentando drasticamente o risco de tromboembolismo. O diagnóstico da estenose mitral é feito pela ausculta de um sopro diastólico em ruflar no foco mitral e confirmado por ecocardiograma transtorácico. A fibrilação atrial é identificada por eletrocardiograma, que mostra ritmo irregular e ausência de ondas P. A combinação de estenose mitral moderada a grave e fibrilação atrial representa uma condição de alto risco para eventos tromboembólicos, principalmente acidente vascular cerebral. A conduta terapêutica essencial nesses casos é a anticoagulação oral. A varfarina é o anticoagulante de escolha, pois os novos anticoagulantes orais (NOACs) são contraindicados para fibrilação atrial associada à estenose mitral moderada a grave (conhecida como fibrilação atrial valvular). A varfarina exige monitorização regular do INR para manter o nível terapêutico (geralmente entre 2,0 e 3,0), minimizando os riscos de trombose e sangramento.
A estenose mitral, especialmente quando associada à fibrilação atrial, leva à dilatação do átrio esquerdo e estase sanguínea, aumentando significativamente o risco de formação de trombos e eventos tromboembólicos, como AVC. A anticoagulação previne esses eventos.
Os estudos que validaram a segurança e eficácia dos NOACs para fibrilação atrial excluíram pacientes com estenose mitral moderada a grave ou próteses valvares mecânicas. Nesses casos, a fisiopatologia da trombose é diferente, e a varfarina demonstrou superioridade e segurança estabelecidas.
O alvo terapêutico para o INR (International Normalized Ratio) em pacientes com estenose mitral e fibrilação atrial em uso de varfarina é geralmente de 2,0 a 3,0. A monitorização regular do INR é fundamental para garantir a eficácia e segurança da anticoagulação.
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