TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 39 anos, com história de febre reumática, apresenta-se em classe funcional 2 e teve internação recente por quadro de insuficiência cardiaca exacerbada por fibrilação atrial. Ao ecocardiograma, evidenciou-se estenose mitral com área valvar de 0.8 cm². Qual a alternativa correta sobre o manejo da paciente?
Estenose Mitral Grave (Área < 1,5cm²) + Sintomas → Valvuloplastia por Balão (se anatomia favorável).
A intervenção de escolha para estenose mitral reumática sintomática e anatomicamente favorável é a valvuloplastia percutânea, superando a cirurgia em termos de invasividade.
A estenose mitral é a sequela mais comum da febre reumática, caracterizando-se pela fusão das comissuras valvares e espessamento dos folhetos. A redução da área valvar obstrui o fluxo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo, levando ao aumento da pressão atrial esquerda, congestão pulmonar e, eventualmente, fibrilação atrial e hipertensão pulmonar. O manejo clínico foca no controle da frequência cardíaca e diuréticos para alívio sintomático, mas a correção mecânica é necessária na doença grave. A Valvuloplastia Mitral por Cateter-Balão (VMCB) revolucionou o tratamento, oferecendo uma alternativa percutânea eficaz à comissurotomia cirúrgica. O sucesso do procedimento depende da ausência de insuficiência mitral significativa e de trombos no átrio esquerdo, além de uma morfologia valvar que permita a abertura das comissuras sem causar lesões graves. Em casos de anatomia desfavorável ou contraindicações à VMCB, a troca valvar cirúrgica permanece como o padrão-ouro.
A valvuloplastia mitral por cateter-balão (VMCB) está indicada em pacientes com estenose mitral grave (área valvar ≤ 1,5 cm²) que sejam sintomáticos (Classe Funcional II a IV da NYHA) e possuam anatomia valvar favorável, geralmente avaliada pelo Escore de Wilkins ≤ 8. Também é considerada em pacientes assintomáticos com hipertensão pulmonar ou fibrilação atrial de início recente.
Pacientes com estenose mitral de origem reumática (moderada a grave) e fibrilação atrial foram excluídos dos grandes ensaios clínicos que validaram os DOACs (rivaroxabana, apixabana, etc.). Atualmente, as diretrizes recomendam exclusivamente os antagonistas da vitamina K (Varfarina) para este grupo específico devido ao alto risco embólico e falta de evidência de segurança com os novos fármacos.
A gravidade é definida principalmente pela área valvar mitral (AVM). Uma AVM > 1,5 cm² é considerada leve a moderada, enquanto uma AVM ≤ 1,5 cm² define estenose grave. No caso clínico, a paciente apresenta AVM de 0,8 cm², caracterizando uma estenose mitral muito grave (crítica quando < 1,0 cm²).
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