Estenose Mitral: Sinais na Ausculta e Etiologia Reumática

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 42 anos, sem comorbidades, comparece à unidade básica de saúde (UBS) devido a quadro de dispneia aos moderados esforços. Ao exame, a ausculta respiratória da paciente evidencia estertores crepitantes em ambas as bases pulmonares e, ao exame cardiológico, notam-se hiperfonese de B1, além de som curto e agudo imediatamente após a segunda bulha, seguido de ruflar diastólico com reforço pré-sistólico, audível no quinto espaço intercostal, em nível de linha hemiclavicular esquerda. A etiologia mais provável da alteração encontrada é:

Alternativas

  1. A) febre reumática
  2. B) endocardite infecciosa
  3. C) valva aórtica bicúspide
  4. D) prolapso de valva mitral

Pérola Clínica

Hiperfonese B1 + estalido abertura + ruflar diastólico com reforço pré-sistólico em 5º EIC LHE → Estenose Mitral (sequela de Febre Reumática).

Resumo-Chave

A ausculta cardíaca descrita (hiperfonese de B1, estalido de abertura após B2, ruflar diastólico com reforço pré-sistólico) é patognomônica da estenose mitral. Em adultos jovens e de meia-idade, a etiologia mais comum da estenose mitral é a febre reumática, que causa fibrose e fusão das comissuras valvares, levando à obstrução do fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo.

Contexto Educacional

A estenose mitral é uma valvopatia caracterizada pela obstrução do fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo durante a diástole. Em adultos, a etiologia mais comum é a febre reumática, uma doença inflamatória sistêmica que pode afetar o coração, articulações, cérebro e pele. A cardite reumática crônica leva à fibrose e calcificação das cúspides da valva mitral, resultando em estreitamento do orifício valvar. A prevalência da febre reumática e suas sequelas cardíacas ainda é significativa em países em desenvolvimento. A fisiopatologia da estenose mitral envolve o aumento da pressão no átrio esquerdo e, consequentemente, na circulação pulmonar, levando a congestão pulmonar e dispneia. A ausculta cardíaca é fundamental para o diagnóstico, revelando achados clássicos: hiperfonese da primeira bulha (B1) devido ao fechamento abrupto da valva mitral estenótica, um estalido de abertura (som curto e agudo) que ocorre logo após a segunda bulha (B2), e um sopro diastólico de baixa frequência, o ruflar diastólico, melhor audível no ápice (quinto espaço intercostal, linha hemiclavicular esquerda). Este sopro pode ser acentuado por um reforço pré-sistólico, causado pela contração atrial que tenta forçar o sangue através da valva estreitada. O diagnóstico é confirmado por ecocardiograma, que avalia a gravidade da estenose e suas consequências hemodinâmicas. O tratamento varia desde o manejo clínico dos sintomas até intervenções percutâneas (valvoplastia por balão) ou cirúrgicas (comissurotomia ou troca valvar), dependendo da gravidade e da presença de complicações. O reconhecimento precoce dos sinais na ausculta é crucial para o encaminhamento e manejo adequado, prevenindo a progressão da doença e suas complicações, como insuficiência cardíaca e fibrilação atrial.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos da estenose mitral na ausculta cardíaca?

Os achados clássicos incluem hiperfonese da primeira bulha (B1), um estalido de abertura (click) após a segunda bulha (B2), e um sopro diastólico de baixa frequência, conhecido como ruflar diastólico, melhor audível no ápice. Este sopro pode ser acentuado por um reforço pré-sistólico, causado pela contração atrial.

Por que a febre reumática é a principal causa de estenose mitral em adultos?

A febre reumática é uma doença inflamatória que pode causar cardite, levando a danos crônicos nas valvas cardíacas, especialmente a mitral. Ao longo dos anos, a inflamação repetida e a fibrose resultam no espessamento e fusão das cúspides valvares, causando estenose.

Quais são os sintomas da estenose mitral?

Os sintomas da estenose mitral incluem dispneia aos esforços (devido à congestão pulmonar), fadiga, palpitações (por fibrilação atrial), hemoptise e, em casos avançados, sinais de insuficiência cardíaca direita. A gravidade dos sintomas correlaciona-se com o grau de estenose.

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