Estenose Laringotraqueal Pós-Intubação: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 38 anos de idade, vítima de acidente motociclístico, permaneceu intubado por 21 dias em UTI, por quadro de contusão cerebral.  alta 60 dias após o acidente, com mínimas sequelas motoras. Procura o PS pela terceira vez em 1 mês, por quadro de dispneia recorrente. Exame físico: FR 28 irpm, Sat O2 92% em ar ambiente, utilização de musculatura acessória, MV presente sem ruídos adventícios, sinal de Signorelli negativo, FC 90 bpm, PA 140/80 mmHg, BRNF em 2T sem sopros. Qual é a hipótese etiológica mais provável?

Alternativas

  1. A) Estenose laringotraqueal.
  2. B) Contusão pulmonar.
  3. C) Tamponamento cardíaco.
  4. D) Derrame pleural bilateral.

Pérola Clínica

Dispneia recorrente pós-intubação prolongada (especialmente >7-10 dias) → Estenose laringotraqueal.

Resumo-Chave

A intubação orotraqueal prolongada é um fator de risco importante para o desenvolvimento de estenose laringotraqueal, que se manifesta com dispneia recorrente, estridor e uso de musculatura acessória, mesmo com ausculta pulmonar normal.

Contexto Educacional

A estenose laringotraqueal é uma complicação potencialmente grave da intubação orotraqueal prolongada, especialmente quando o período de intubação excede 7 a 10 dias. No caso apresentado, o paciente permaneceu intubado por 21 dias, o que aumenta significativamente o risco. A contusão cerebral inicial não é a causa da dispneia recorrente atual, mas sim o período de ventilação mecânica invasiva. Os sintomas de estenose laringotraqueal incluem dispneia progressiva, estridor (ruído respiratório agudo, geralmente inspiratório, causado pela passagem de ar por uma via aérea estreitada), tosse e rouquidão. O exame físico pode revelar uso de musculatura acessória e taquipneia, mas a ausculta pulmonar pode ser normal, como no caso, pois a obstrução é extratorácica. O sinal de Signorelli negativo (ausência de dor à palpação da traqueia) não exclui a estenose. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como tomografia computadorizada de pescoço e tórax, mas o padrão-ouro é a broncoscopia, que permite a visualização direta da estenose, sua localização, extensão e grau de comprometimento. O tratamento varia desde a dilatação endoscópica até a ressecção cirúrgica da área estenótica, dependendo da gravidade e localização. É crucial que residentes considerem essa hipótese em pacientes com histórico de intubação prolongada e dispneia inexplicada.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para estenose laringotraqueal?

Intubação orotraqueal prolongada (geralmente >7-10 dias), trauma durante a intubação, uso de tubos de calibre inadequado, pressão excessiva do cuff e infecções respiratórias associadas.

Como a estenose laringotraqueal se manifesta clinicamente?

Os sintomas incluem dispneia progressiva, estridor inspiratório (especialmente durante o esforço), tosse e rouquidão. Podem ser intermitentes no início e piorar com o tempo.

Qual o exame padrão-ouro para diagnosticar estenose laringotraqueal?

A broncoscopia flexível ou rígida é o padrão-ouro, permitindo a visualização direta da estenose, sua localização, extensão e grau de comprometimento da via aérea.

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