Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2021
Paciente vítima de trauma encefálico grave há 1 mês, permaneceu em ventilação mecânica em terapia intensiva com tubo orotraqueal por 19 dias, pois seu nível neurológico oscilava durante a internação. Após extubação, recebeu alta sem intercorrências. Hoje, 1 mês após a alta é admitido em sala de emergência queixando-se de dispneia progressiva, rouquidão e apresenta ao exame físico estridor laríngeo. Qual a hipótese diagnóstica MAIS provável?
Dispneia progressiva + estridor + rouquidão pós-intubação prolongada → Estenose laringotraqueal.
A estenose laringotraqueal é uma complicação tardia da intubação orotraqueal prolongada, causada por isquemia e fibrose da mucosa traqueal devido à pressão excessiva do cuff ou trauma repetido. Manifesta-se com dispneia progressiva, estridor e rouquidão semanas a meses após a extubação.
A intubação orotraqueal é um procedimento vital em pacientes críticos, mas não é isenta de complicações. A estenose laringotraqueal é uma complicação tardia e potencialmente grave, que pode ocorrer semanas a meses após a extubação de pacientes que foram submetidos a intubação prolongada. É crucial para residentes reconhecerem os sinais e sintomas para um diagnóstico e manejo precoces. A fisiopatologia da estenose laringotraqueal envolve trauma mecânico e isquemia da mucosa da laringe ou traqueia, geralmente na altura do cuff do tubo ou das cordas vocais, levando à formação de tecido de granulação e fibrose. Os sintomas clássicos incluem dispneia progressiva, estridor inspiratório (sinal de obstrução de via aérea superior) e rouquidão, que podem ser inicialmente intermitentes e piorar com o tempo. O diagnóstico é confirmado por laringoscopia e/ou broncoscopia, que visualizam diretamente a área de estreitamento. O tratamento varia de dilatações endoscópicas para estenoses leves a ressecção cirúrgica da área estenótica com anastomose primária para casos mais severos. Em situações de emergência com obstrução grave, pode ser necessária uma via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia ou traqueostomia).
Fatores de risco incluem tempo prolongado de intubação, pressão excessiva do cuff do tubo orotraqueal, trauma durante a intubação, intubações repetidas, infecções locais, refluxo gastroesofágico e condições que afetam a cicatrização.
A estenose laringotraqueal se manifesta com dispneia progressiva e estridor inspiratório, muitas vezes semanas a meses após a extubação de uma intubação prolongada. Diferencia-se de broncoespasmo (que causa sibilos expiratórios) e pneumotórax (que tem início agudo e achados radiológicos específicos). A broncoscopia é diagnóstica.
A conduta inicial envolve a estabilização da via aérea, que pode incluir oxigenoterapia e, em casos graves, reintubação ou cricotireoidostomia de emergência. O diagnóstico definitivo é feito por laringoscopia/broncoscopia, e o tratamento pode envolver dilatação endoscópica, ressecção cirúrgica da estenose ou traqueostomia.
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