Estenose JPU: Diagnóstico e ITU em Lactentes

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino, 9 meses de idade, com dois episódios de infecção urinária nos últimos 3 meses. Ao exame físico, massa palpável em flanco direito. Ultrassonografia de vias urinárias: dilatação de pelve e cálices renais à direita. Ureter direito com calibre normal. Rim esquerdo e bexiga normais para a idade. Qual é a hipótese diagnóstica para o caso?

Alternativas

  1. A) Válvula de uretra posterior
  2. B) Megaureter
  3. C) Estenose da junção pieloureteral
  4. D) Refluxo vésico-ureteral

Pérola Clínica

Lactente com ITU de repetição + massa em flanco + hidronefrose sem dilatação ureteral → Estenose de JPU.

Resumo-Chave

A estenose da junção pieloureteral (JPU) é a causa mais comum de hidronefrose congênita, caracterizada pela dilatação da pelve e cálices renais sem dilatação do ureter. Em lactentes, pode manifestar-se com infecções urinárias de repetição e massa palpável em flanco, sendo a principal hipótese diagnóstica diante desse quadro ultrassonográfico.

Contexto Educacional

A estenose da junção pieloureteral (JPU) é a causa mais comum de hidronefrose congênita, representando uma obstrução ao fluxo urinário na transição entre a pelve renal e o ureter. Sua importância clínica reside no potencial de causar infecções urinárias de repetição, dor, formação de cálculos e, em casos não tratados, comprometimento progressivo da função renal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para preservar a saúde renal da criança. A fisiopatologia da estenose de JPU envolve uma alteração intrínseca na musculatura lisa da JPU ou a presença de vasos anômalos que comprimem o ureter. Em lactentes, a condição pode ser detectada no pré-natal por ultrassonografia ou manifestar-se após o nascimento com sintomas como infecções do trato urinário (ITU) febris de repetição, dor abdominal ou em flanco, e a presença de uma massa palpável no abdome devido ao rim dilatado. A ultrassonografia de vias urinárias é o exame de escolha para o diagnóstico, evidenciando a dilatação da pelve e dos cálices renais (hidronefrose) com um ureter de calibre normal, o que a diferencia de outras uropatias obstrutivas. O tratamento da estenose de JPU varia desde o acompanhamento conservador em casos assintomáticos e com boa função renal, até a intervenção cirúrgica. A pieloplastia é o procedimento padrão-ouro, que consiste na ressecção do segmento estenótico e na anastomose da pelve renal ao ureter, restabelecendo o fluxo urinário. A decisão pela cirurgia é baseada na presença de sintomas, infecções de repetição, deterioração da função renal no rim afetado ou hidronefrose progressiva. O acompanhamento pós-operatório é crucial para monitorar a resolução da hidronefrose e a recuperação da função renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da estenose da junção pieloureteral em lactentes?

Em lactentes, a estenose da JPU pode ser assintomática e detectada em ultrassonografias pré-natais. Quando sintomática, pode causar infecções urinárias de repetição, dor abdominal ou em flanco, massa palpável no abdome, hematúria e, em casos graves, comprometimento da função renal.

Como a ultrassonografia auxilia no diagnóstico da estenose de JPU?

A ultrassonografia de vias urinárias é o exame inicial e fundamental. Ela revela a dilatação da pelve e dos cálices renais (hidronefrose) e, crucialmente, mostra um ureter de calibre normal, o que diferencia a estenose de JPU de outras causas de hidronefrose com dilatação ureteral, como o refluxo vésico-ureteral ou o megaureter.

Qual a conduta para estenose de JPU em lactentes?

A conduta depende da gravidade da obstrução e do impacto na função renal. Casos leves podem ser acompanhados clinicamente. Em casos sintomáticos, com infecções de repetição, dor ou comprometimento da função renal, a intervenção cirúrgica (pieloplastia) é indicada para remover a obstrução e restaurar o fluxo urinário normal.

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